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Received — 31 May 2026 Jornal do Algarve

Domingos Caetano sempre quis fazer música à sua maneira

31 May 2026 at 11:11

Domingos Caetano nasceu a 7 de dezembro de 1956, na Fuzeta. Músico, compositor e professor, começou por se afirmar como autodidata no mundo da música, antes de ingressar no conservatório, onde estudou piano e acústica. A sua atividade profissional iniciou-se nos bailes, passando posteriormente para eventos em hotéis, num percurso típico de muitos músicos da sua geração no Algarve. Tudo começou com uma guitarra e alguma rebeldia. A história recua a 1975, quando o irmão lhe trouxe uma guitarra de Angola que lhe mudaria o rumo. O resto fez-se com obsessão, curiosidade e algumas faltas às aulas pelo meio: “Eu faltava às aulas. Queria era tocar, aproveitar todo o tempo que tinha para aprender.” Não há romantização. Há honestidade. A paixão veio primeiro, tudo o resto veio depois. Depois de alguns ensaios com amigos, surge a primeira banda. Na altura já existia a banda “Pop 2002” e quando o guitarrista foi para a tropa, fizeram um acordo improvável: Domingos ficava com o material, tocava, e dividia o cachê. Foi assim que juntou dinheiro até comprar o próprio equipamento. “A partir daí foi sempre de seguida até hoje”, conta. Em 1979 nascem os Íris, uma das bandas de rock português mais antigas em atividade. A "brincadeira" que mudou tudo Durante anos, os Íris foram apenas um grupo de amigos a tocar por gosto. Sem estratégia, sem planos de carreira, até que surge uma “brincadeira” em palco. Inspirado em “The House of the Rising Sun”, Domingos criou uma versão muito própria: “Oh Mãe”, cantada com o sotaque carregado da Fuzeta, sem filtro. “O facto de cantar assim criou uma coisa completamente louca, porque ninguém fazia isso.” O impacto foi imediato: “Eu tinha que tocar aquela música às vezes quatro ou cinco vezes por noite. Toda a gente queria ouvir aquilo.” Aquilo que começou como improviso transforma-se num fenómeno local. O público insiste: aquilo tem de ser gravado. Mas Domingos resiste. “Gravar? Não pá, isso não tem piada nenhuma. Isso é uma brincadeira que eu faço.” Até que a pressão vence. Gravam uma maquete, sem grandes expectativas. Mas o acaso, ou o destino, volta a entrar em cena quando cruzam caminho com Neil Kay, ligado ao universo dos Iron Maiden, que frequentava os espaços onde a banda tocava em Faro. “Ele pegou nessa música e em mais algumas que nós tínhamos, levou e conseguimos este contrato com a Vidisco”, relembra. O resto acontece depressa: “Lançámos o primeiro CD e foi um sucesso.”

Domingos Caetano e Gabriel, que está a aprender a tocar bateria

O momento em que tudo muda O sucesso já se fazia sentir nos concertos, mas houve um instante, inesperado e quase irónico, que confirmou tudo. “Era 11 da manhã e eu a essa hora estou sempre a dormir”, recorda. O telefone toca: “‘Oh Mãe’ está em quarto lugar no top nacional.” A reação não foi imediata, nem eufórica: “O Íris no top nacional? Foi um choque.” Nesse momento, os Íris deixaram de ser apenas uma banda do Algarve para passar a fazer parte do país inteiro. Criar por gosto, nunca por o...

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