Normal view

Nem praias nem restaurantes: alemães entregam prémio ao Algarve e este foi o motivo

31 May 2026 at 14:40

O Algarve voltou a captar atenções fora de Portugal, desta vez por motivos ligados ao turismo de natureza e às caminhadas. A região foi distinguida numa votação promovida por uma revista alemã especializada, surgindo entre os destinos europeus mais apreciados por quem procura percursos pedestres, paisagens naturais e experiências fora dos circuitos tradicionais de verão.

De acordo com a revista alemã Trekking Magazine, o Algarve alcançou o terceiro lugar no prémio “Most Popular Hiking Regions in Europe 2026”. A escolha foi feita através da votação de cerca de 35.000 leitores da publicação, dedicada ao turismo de natureza e às caminhadas em vários países europeus.

A região portuguesa aparece atrás das Dolomitas e Tirol do Sul, em Itália, e da Bretanha, em França. Segundo a mesma fonte, a classificação coloca o Algarve entre os principais destinos europeus para quem privilegia trilhos, paisagens naturais e percursos de longa distância.

Caminhadas ganham espaço no turismo algarvio

Nos últimos anos, o Algarve tem procurado diversificar a oferta turística para além do verão e das praias. O reconhecimento internacional surge numa altura em que o turismo ligado à natureza ganha peso na região, sobretudo fora da época alta.

Escreve a publicação alemã que fatores, como o clima ameno ao longo do ano e a autenticidade das experiências locais ajudaram a consolidar a posição do Algarve neste segmento. A possibilidade de realizar caminhadas durante vários meses do ano tem sido apontada como uma das vantagens da região.

Trilhos que atravessam o interior e a costa

Entre os percursos destacados encontram-se a Via Algarviana e a Rota Vicentina. A primeira atravessa o interior algarvio, enquanto a segunda acompanha parte da costa sudoeste portuguesa.

Segundo a mesma fonte, estes percursos permitem descobrir zonas menos associadas ao turismo balnear, passando por áreas rurais, pequenas localidades e paisagens naturais afastadas dos centros mais movimentados da região.

Evento que quer atrair visitantes fora do verão

O prémio foi anunciado poucos dias antes do arranque do Algarve Walking Season, uma iniciativa que reúne cinco festivais dedicados às caminhadas. O objetivo passa por incentivar visitas durante períodos de menor procura turística.

Acrescenta a publicação que esta estratégia procura promover um contacto mais próximo com o património natural e cultural da região. A aposta em atividades ligadas à natureza é vista também como uma forma de distribuir o fluxo turístico ao longo do ano.

Há mais caminhos além das zonas balneares

Apesar de continuar associado às praias e ao turismo de verão, o Algarve tem vindo a ganhar notoriedade junto de visitantes interessados em experiências ligadas ao ar livre. Os trilhos pedestres, os percursos rurais e as zonas protegidas passaram a integrar vários roteiros turísticos internacionais.

Um dos percursos apontados como exemplo é o trilho entre Alte e a Ribeira de Alte, que conduz à Queda do Vigário. O local é conhecido pela presença de uma cascata procurada por visitantes durante diferentes épocas do ano.

Distinção que muda o foco sobre a região

A presença do Algarve neste ranking europeu mostra também uma mudança na forma como a região é promovida além-fronteiras. O destaque já não passa apenas pelas zonas costeiras mais conhecidas, mas também pelo património natural do interior e pelos percursos de natureza.

A Trekking Magazine refere ainda que o Algarve continua a consolidar a sua posição como destino multifacetado, capaz de atrair visitantes interessados em diferentes tipos de turismo, incluindo caminhadas, observação da paisagem e atividades ao ar livre.

Leia também: Leva guarda-sol para a praia? Estes são os sítios onde o podem mandar retirar (e só estas pessoas têm autoridade para o fazer)

Britânicos lançam “aviso urgente” para todos o que viajam para Portugal: património português está em risco e este é o motivo

31 May 2026 at 08:30

Portugal continua a ser um dos destinos preferidos dos turistas britânicos, mas quem visita o país está a ser aconselhado a ter atenção à compra de azulejos antigos vendidos na rua, em feiras ou em lojas sem informação clara sobre a origem das peças. O alerta surge devido ao roubo de azulejos em edifícios antigos, que depois podem ser vendidos como artigos “vintage” ou recuperados.

Os azulejos são uma das marcas mais reconhecidas do património português e fazem parte da identidade visual de igrejas, palácios, estações ferroviárias, fachadas de casas e edifícios históricos. Muitos turistas procuram estas peças como recordação, mas especialistas e residentes alertam que nem todos os azulejos à venda têm proveniência legal.

Segundo relatos divulgados por criadores de conteúdo residentes em Portugal, citados pelo portal britânico Express, existe um mercado paralelo alimentado pelo furto de azulejos retirados de edifícios abandonados, imóveis em obras ou até habitações ocupadas. As peças são depois vendidas em mercados, zonas turísticas, plataformas online e, em alguns casos, enviadas para o estrangeiro.

Azulejos são património, não simples lembranças

Conhecidos pela cor, detalhe e valor artístico, os azulejos portugueses têm mais de cinco séculos de história e estão presentes em diferentes regiões do país. Para além da função decorativa, contam histórias ligadas à religião, à arquitetura, à vida quotidiana e à evolução urbana de várias cidades.

O problema é que a procura turística por peças antigas tornou estes elementos mais apetecíveis para redes de furto e revenda. Um azulejo retirado de uma fachada não é apenas um objeto isolado: faz parte de um conjunto arquitetónico e, quando desaparece, deixa uma marca visível no edifício e empobrece o património local.

Por isso, a compra de azulejos sem origem comprovada pode contribuir, mesmo sem intenção, para a destruição de património histórico. Muitos compradores acreditam estar a adquirir uma peça recuperada de forma legítima, mas nem sempre fazem perguntas sobre a proveniência ou exigem documentação.

Como funciona o mercado ilegal

De acordo com os alertas partilhados, os ladrões tendem a procurar edifícios antigos, imóveis devolutos ou fachadas em reabilitação, onde os azulejos podem ser removidos com menor vigilância. Em alguns casos, são usadas ferramentas próprias para retirar as peças com cuidado, evitando que se partam e aumentando o seu valor de revenda.

Depois de retirados, os azulejos podem surgir à venda como peças “antigas”, “recuperadas” ou “vintage”. A aparência envelhecida, que para o turista pode parecer sinal de autenticidade, é precisamente um dos fatores que aumenta o risco de se tratar de património furtado.

A falta de perguntas sobre a origem das peças facilita este negócio. Se o vendedor não consegue explicar de onde vieram os azulejos, não apresenta fatura, certificado ou informação clara sobre a proveniência, o comprador deve desconfiar.

O que devem fazer os turistas

Quem quiser comprar azulejos em Portugal deve privilegiar lojas de artesãos, oficinas de cerâmica, museus, lojas especializadas e espaços que vendam peças novas ou reproduções devidamente identificadas. Comprar diretamente a artistas locais é uma forma mais segura de levar uma recordação autêntica sem alimentar o mercado ilegal.

Antes de comprar uma peça antiga, é aconselhável perguntar a origem, pedir comprovativo de venda e perceber se se trata de uma reprodução, de um azulejo novo ou de uma peça recuperada de forma legal. Se o vendedor evitar responder, não emitir recibo ou apresentar a peça de forma vaga, o melhor é não comprar.

Este cuidado é especialmente importante em zonas turísticas onde há maior circulação de visitantes e maior facilidade em vender objetos sem grande controlo. A regra é simples: se parece demasiado antigo, raro ou barato e não há explicação convincente sobre a origem, o risco é maior.

Património português em risco

Os azulejos portugueses têm valor cultural e histórico, mas também económico, o que os torna vulneráveis ao furto. A retirada ilegal destas peças afeta a imagem das cidades, prejudica proprietários e dificulta a preservação de edifícios antigos.

Nos últimos anos, várias entidades ligadas ao património têm alertado para a necessidade de maior proteção, registo e sensibilização. O problema não está apenas em quem rouba, mas também em quem compra sem questionar a origem.

Para os turistas, o conselho é claro: levar uma recordação de Portugal não deve significar retirar uma parte da história do país. A melhor alternativa passa por apoiar ceramistas e lojas responsáveis, escolhendo peças novas, reproduções autorizadas ou produtos com proveniência comprovada.

Leia também: Visita guiada convida a descobrir as fachadas azulejadas de Tavira

“Estou cansada disto”: mulher que descontou durante 44 anos foi forçada a reformar-se e teve pensão penalizada

30 May 2026 at 13:40

Num contexto em que também em Portugal se debate a justiça das reformas antecipadas e das penalizações aplicadas a quem descontou durante toda a vida, um novo caso vindo de Espanha volta a reacender a discussão. Uma mulher com 44 anos de carreira contributiva viu a sua pensão ser fortemente penalizada depois de ter sido obrigada a reformar-se antes da idade legal, segundo o jornal digital Noticias Trabajo.

Laura Allué descontou para a Segurança Social espanhola durante 44 anos, período que, segundo explica, deveria deixá-la perto da pensão máxima, atualmente próxima dos 3.000 euros. No entanto, aos 59 anos foi despedida e, sem conseguir regressar ao mercado de trabalho, acabou empurrada para a reforma antecipada involuntária.

A realidade que relatou em entrevista televisiva foi dura: “penalizam-me com um 27% da minha pensão”, afirmou, citada pela mesma fonte. Mesmo com quase meio século de contribuições, considera que a pensão atribuída fica muito abaixo do valor esperado. Ao recordar que trabalhou “de segunda a sábado, entre oito e nove horas por dia”, admitiu sentir-se defraudada pelo sistema.

Uma vida inteira a descontar e uma penalização permanente

Durante o programa, a mulher espanhola desabafou: “Estou cansada disto”, sublinhando que, apesar dos 44 anos de carreira contributiva, a redução aplicada à sua pensão terá efeitos para o resto da vida. Reforçou ainda a ideia de que muitos trabalhadores apenas procuram uma reforma digna depois de décadas de trabalho.

Casos como o de Laura não são únicos. Existem outros relatos de pensionistas, entre eles Paco Crespo, que foi obrigado a reformar-se aos 62 anos com uma carreira completa de descontos que, ainda assim, resultou em penalizações significativas, de acordo com o Noticias Trabajo.

Solicitações de mudanças legislativas

Num debate na televisão catalã TV3, a advogada Marta Barreda alertou para o impacto destas penalizações ao longo de toda a vida dos reformados. Considerou que “se está a castigar estas pessoas”, defendendo que devem continuar a lutar por maior equidade e pelo apoio dos partidos políticos.

A especialista deixou ainda um conselho direto: tentar alcançar o direito ao valor total da pensão, evitando cortes que se tornam permanentes. Para Barreda, esta deveria ser uma prioridade num sistema que, cada vez mais, penaliza quem é forçado a sair do mercado de trabalho antes do tempo.

Uma discussão que também interessa a Portugal

Tal como acontece em Espanha, também em Portugal continua a existir um debate sobre os coeficientes que reduzem o valor das pensões antecipadas, sobretudo no caso de carreiras contributivas longas. Muitos trabalhadores que começaram a trabalhar ainda na adolescência enfrentam cortes relevantes caso tenham de se reformar por desemprego ou desgaste profissional.

Por isso, casos como o de Laura Allué voltam a colocar o tema na agenda pública e mostram que a discussão sobre reformas dignas não é apenas espanhola, mas comum a muitos países europeus, incluindo Portugal, onde milhares de pessoas esperam que carreiras longas sejam devidamente reconhecidas.

Como curiosidade, em vários países europeus, o aumento da esperança média de vida tem levado os governos a rever regras de acesso à reforma, tornando este tema cada vez mais presente no debate público.

Leia também: Perdi o voo por causa da fila dos passaportes: tenho direito a indemnização?

“Fomos acordados pelo caos”: piloto tem alegado ataque cardíaco e o avião desta companhia foi desviado para Portugal

30 May 2026 at 07:40

Um voo comercial entre Espanha e o Reino Unido acabou por ser desviado para Portugal depois de uma emergência médica envolvendo um dos pilotos da aeronave. O avião da companhia aérea Jet2 aterrou de emergência no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, após um alegado ataque cardíaco sofrido pelo comandante durante o voo. De acordo com o jornal britânico The Sun, o incidente aconteceu quando a aeronave seguia de Tenerife para Birmingham com 220 passageiros a bordo.

A aterragem ocorreu durante a madrugada do dia 22 de maio, pelas 2:11 h, numa altura em que o avião voava a cerca de 30.000 pés de altitude. Segundo a mesma fonte, o segundo piloto assumiu o controlo da aeronave e conduziu a aterragem no aeroporto português.

Passageiros acordados durante a descida

Vários passageiros relataram momentos de confusão dentro da cabine durante a aproximação ao Porto. Escreve o jornal que algumas pessoas estavam a dormir quando foram surpreendidas pela movimentação da tripulação e pela descida rápida da aeronave.

“O meu companheiro e eu estávamos a dormir quando fomos acordados pelo caos”, contou um passageiro ao The Sun. Conforme a mesma fonte, as luzes da cabine começaram a piscar e as assistentes de bordo percorriam os corredores à procura de um médico entre os passageiros.

Pedido urgente de ajuda médica

Os testemunhos recolhidos pelo jornal britânico descrevem um ambiente de preocupação crescente no interior do avião. Refere a publicação que algumas comissárias de bordo estariam visivelmente emocionadas enquanto tentavam lidar com a situação na cabine de pilotagem.

Um dos passageiros relatou ainda que o filho de dois anos começou a chorar devido à descida rápida da aeronave, numa reação partilhada por outras crianças presentes no voo. Segundo a mesma fonte, o aparelho perdeu altitude de forma repentina antes da aterragem de emergência.

Primeiros socorros prestados no aeroporto

Após a aterragem no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, os serviços de emergência deslocaram-se para a pista para prestar assistência. O piloto recebeu os primeiros cuidados ainda dentro da aeronave antes de ser transportado para o hospital.

O tabloide britânico divulgou também imagens dos meios de emergência posicionados junto ao avião. Acrescenta a publicação que o estado de saúde do piloto não foi posteriormente detalhado pela companhia aérea.

Passageiros ficaram retidos no Porto

Depois da aterragem, os 220 passageiros permaneceram no Porto durante cerca de 13 horas antes de seguirem viagem para o Reino Unido. Sabe-se ainda que o regresso foi assegurado através de um novo voo e com uma nova tripulação.

Alguns passageiros criticaram a forma como a situação foi gerida após o desembarque. Escreve o jornal que houve relatos de pessoas que se sentiram sem apoio logístico durante o período de espera no aeroporto português.

Queixas sobre falta de alojamento

“Ficámos retidos em Portugal durante mais de 13 horas, sem alojamento”, afirmou um dos passageiros citados pelo jornal britânico. Segundo a mesma fonte, os viajantes permaneceram inicialmente dentro do avião durante cerca de uma hora antes de poderem sair.

O mesmo passageiro afirmou que a companhia aérea não disponibilizou estadia temporária, alegando custos elevados associados ao alojamento dos passageiros. Acrescenta a publicação que várias pessoas acabaram por aguardar no aeroporto até à partida do novo voo.

Companhia confirmou problema de saúde

A Jet2 confirmou posteriormente que o voo foi desviado para o Porto devido ao facto de um dos pilotos não se sentir bem durante a viagem. De qualquer forma, a empresa não confirmou oficialmente o alegado ataque cardíaco referido pelos passageiros.

Um outro viajante contou ao The Sun que a companhia aérea terá informado os ocupantes de que o piloto sofreu “um ataque cardíaco na cabine”. Segundo a mesma fonte, muitos passageiros demonstraram preocupação e solidariedade perante a situação.

Alternativas oferecidas aos passageiros

Após o incidente, a companhia informou os passageiros de que poderiam alterar gratuitamente as viagens para outros voos operados pela Jet2. A possibilidade abrangia os 14 destinos da empresa no Reino Unido.

O episódio terminou sem registo de feridos entre os passageiros, mas deixou relatos de tensão vividos durante a descida inesperada e a aterragem de emergência em território português.

Leia também: Neste voo da TAP dois passageiros ficaram feridos devido à turbulência: hospedeira diz que esta é a zona do avião que ‘treme’ menos

Esta planta nasce ‘a potes’ no Algarve onde quase nada sobrevive e pode render milhões: conheça o “espargo do mar”

29 May 2026 at 21:30

Durante anos, a salicórnia foi vista como uma planta selvagem das zonas de sapal, capaz de crescer em terrenos salgados onde quase nada sobrevive. Hoje, o “espargo do mar” começa a ganhar estatuto de alimento de futuro, com presença na alta cozinha, interesse científico e potencial económico para explorações agrícolas ligadas à sustentabilidade.

Conhecida popularmente como “espargo do mar”, esta planta halófita desenvolve-se em ambientes salinos, sobretudo em zonas de marisma e sapal. O seu sabor salgado e a textura crocante tornaram-na cada vez mais procurada por chefs e restaurantes que procuram ingredientes diferentes, ligados ao território e com menor impacto ambiental.

Em Espanha, um dos nomes associados à transformação da salicórnia em cultura agrícola é Manuel Díaz, técnico florestal de 57 anos, natural de Isla Cristina, em Huelva. Cresceu entre marismas e começou a olhar com outros olhos para uma planta que, durante décadas, era pouco valorizada fora das comunidades costeiras.

A salicórnia também pode ser encontrada em Portugal, nomeadamente em zonas húmidas e salinas como a Ria Formosa, no Algarve, onde cresce naturalmente em sapais e áreas influenciadas pela água salgada. Esta presença reforça a ligação da planta aos ecossistemas costeiros e ajuda a explicar o interesse crescente pelo seu aproveitamento gastronómico, embora a recolha em espaços naturais deva respeitar sempre as regras de conservação e proteção ambiental.

De planta ignorada a produto de valor

De acordo com o Huffpost, a história de Manuel Díaz começou com curiosidade e muitas experiências. Nos tempos livres, enquanto trabalhava na área florestal, decidiu perceber se seria possível cultivar salicórnia fora do seu habitat natural sem prejudicar as populações selvagens existentes nas marismas.

O processo não foi imediato. Depois de vários testes, erros e pequenas experiências, conseguiu reunir cerca de 600 gramas de sementes e começou a testar o cultivo na própria casa, incluindo numa zona improvisada na açoteia. Esse trabalho artesanal permitiu-lhe compreender melhor a planta e avançar para uma produção controlada.

Com o tempo, Manuel tornou-se um dos pioneiros no cultivo de salicórnia em Espanha. Hoje produz em modo ecológico numa parcela em Isla Cristina e fornece o produto a pedido, sobretudo para áreas onde este ingrediente é valorizado pela sua raridade, sabor e ligação ao mar.

Quanto pode render a salicórnia?

O potencial económico é um dos pontos que mais chama a atenção. Em declarações citadas pela imprensa espanhola, Manuel Díaz afirma que, em cinco hectares bem trabalhados, é possível faturar até milhão e meio de euros, uma estimativa que ajuda a explicar o interesse crescente nesta cultura.

Segundo o produtor, um hectar bem explorado pode produzir pelo menos 6.000 quilos por ano. No mercado de produto fresco ecológico, o preço pode rondar os 35 euros por quilo, embora estes valores dependam da procura, da qualidade, da certificação, dos canais de venda e da capacidade de escoamento.

Além da venda em fresco, a planta pode ter outros aproveitamentos. O restante material vegetal pode ser usado para extratos ou aplicações ligadas à investigação, aumentando o valor potencial da cultura e tornando-a mais interessante para projetos agrícolas inovadores.

Um alimento ligado à sustentabilidade

A salicórnia tem despertado interesse não apenas pelo sabor, mas também pela capacidade de crescer em terrenos salinos, onde outros cultivos dificilmente prosperam. Esta característica torna-a particularmente relevante num contexto de alterações climáticas, escassez de água doce e degradação de solos agrícolas.

A planta foi mesmo descrita pela Smithsonian Institution como um “promissor superalimento”, devido ao seu valor nutricional, resistência a condições extremas e potencial para integrar sistemas agrícolas mais adaptados a ambientes difíceis.

O seu cultivo pode ajudar a diversificar a agricultura em zonas costeiras ou salinas, desde que seja feito de forma controlada e sem danificar os ecossistemas naturais. Para muitos especialistas, este é precisamente o equilíbrio mais importante: transformar uma planta de valor em cultura agrícola sem pôr em risco os sapais onde ela cresce espontaneamente.

Da marisma para a alta cozinha

Nos restaurantes, a salicórnia é valorizada pelo sabor salino natural, que permite acompanhar peixe, marisco, saladas e pratos vegetarianos. A textura crocante e a aparência invulgar tornam-na apelativa para a alta cozinha, onde é muitas vezes usada como ingrediente de acabamento.

Apesar do crescente interesse, continua a ser um produto minoritário em Espanha e noutros mercados ibéricos. A produção ainda é limitada, o preço é elevado e a distribuição depende muito de canais especializados, restaurantes e consumidores mais atentos a ingredientes diferenciados.

Ainda assim, o percurso da salicórnia mostra como uma planta antes ignorada pode tornar-se oportunidade económica, gastronómica e científica. O “espargo do mar” passou de erva de sapal a símbolo de uma agricultura mais resiliente, capaz de encontrar valor onde antes quase ninguém via futuro.

Leia também: Molhos produzidos pela Piri-Piri & Co em Albufeira conquistaram ouro na Europa

“Não se admirem com nada”. Medvedev avisa Europa que sonhos de paz acabaram

By: Lusa
30 May 2026 at 10:40
“Mantenham-se vigilantes e não se admirem com nada”, declarou Medvedev, antes de avisar que “os sonhos de paz acabaram”. Segundo o antigo presidente russo, incidentes como o ataque na Roménia decorrem da “decisão unilateral” das autoridades europeias de “se envolverem na guerra com a Rússia”. O ex-presidente russo Dmitri Medvedev avisou esta sexta-feira a União Europeia de que “os sonhos de paz acabaram” após um drone ter atingido a Roménia, incidente atribuído a Moscovo, que fez dois feridos. Disse também aos cidadãos europeus que, se quiserem explicações sobre o sucedido, “já sabem a quem perguntar”, referindo-se aos líderes da Europa

Adeus Dassault. A Airbus e a Saab vão juntar-se para criar o caça europeu do futuro

By: ZAP
30 May 2026 at 09:30
A tensão entre a Airbus e a Dassault parece ter chegado a um ponto sem retorno. A Airbus não perdeu tempo, e já está a falar com a Saab para trabalharem em conjunto numa nova plataforma para criar o caça de combate europeu de sexta geração. Falhou a última oportunidade: a Airbus e a Dassault Aviation não conseguiram chegar a acordo sobre a forma de desenvolverem em conjunto o Future Combat Air System (FCAS), um caça de nova geração exclusivamente europeu. Desfeito o casamento entre as duas empresas, a Airbus virou-se agora para novo parceiro: a sueca Saab, que leiloou

“O pior poderá estar por vir”. Preços vão subir ainda mais no verão

By: ZAP
29 May 2026 at 11:30
A guerra continua e Portugal enfrenta a pior inflação dos últimos dois anos. Cerca de 4700 empresários inquiridos pelo Instituto Nacional de Estatística alertam que o pior poderá estar por vir. A maioria dos quase 5000 empresários e gestores de vários setores de atividade económica, ouvidos pelo INE entre 1 e 21 de maio, admite que terá de continuar a aumentar os preços de venda ao longo dos próximos três meses. De acordo com o Diário de Notícias, até ao início de setembro, pelo menos, os preços deverão manter-se elevados, na sequência do agravamento dos custos de produção provocado pelo

❌