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Received — 31 May 2026 Jornal do Algarve

Três mortes que nos enlutam

31 May 2026 at 18:04

No curto espaço de uns dias três falecimentos de quem serviu Faro e o Algarve de uma forma exemplar, dedicada e inestimável, vieram estremecer o nosso íntimo.

Às suas sempre lembradas memórias prestamos o mais vivo dos sentimentos de gratidão por tudo o que deram em suas honradas vidas pela comunidade em que estamos insertos.

Na sua Alcoutim faleceu o histórico dirigente do PCP (Partido Comunista Português), Carlos Brito, que desde bem novo fez parte desta formação partidária, dando-lhe, enquanto seu militante e dirigente (sairia por acordo consigo mesmo) toda a inteligência, vocação e trabalho, de que era inegável possuidor. Bem cedo foi eleito para a Assembleia Constituinte, pois era a quando do 25 de Abril de 1974 e, claro na clandestinidade seu delegado em Portuga. Após o funeral da Igreja da Misericórdia, em Alcoutim, onde os restos mortais de Carlos Brito estiveram em constante vilegiatura vieram as mesmas para o Crematório de Faro, como que num adeus à capitalidade sulina, cidade que muito amava.

Depois foi a morte de José Costa, o recém eleito presidente para segundo mandato de uma das mais históricas agremiações farenses, o Clube de Futebol «Os Bonjoanenses», com um notável contributo para a cultura, o desporto amador e o recreio de Faro. Filial dos azuis de Lisboa, o C. F. Os Belenenses, sediado no popular Bairro do Bom João o saudoso José Costa era, há várias década, dirigente de «Os Bonjoanenses», a que imprimiu um inusitado dinamismo e incremento.

«Morreu o homem». Parafraseando o que foi dito a quando da morte de El-Rei D. João II, o Príncipe Perfeito, pudemos usá-lo a propósito do adeus do Dr. José Vitorino, destacada figura da vida pública e política do Algarve e do País. Natural da Conceição de Faro, onde residia, e por motivo de progressiva doença, se afastara de qualquer actividade, o saudoso amigo, com quem tivemos muitas discordâncias, que nunca afectaram a nossa amizade, fez o ensino liceal em Faro, após o que alcançou o título de Engenheiro Técnico Agrário (Escola de Évora) e licenciou-se em Ciências Económicas e Financeiras, vindo a exercer funções em Lisboa (Seguros) e no Algarve (António Neves Pires). Foi um dos fundadores do PPD (Partido Popular Democrático), depois PSD (Partido Social – Democrata), o que valeu o «apedrejamento» com o saudoso Dr. Cristóvão Norte num comício realizado no Salão Luís Parque, a que se seguiu a destruição da sede na Rua Lethes, daquela formação partidária. Foi sucessivamente eleito deputado, função interrompida pelo desempenho do cargo de Governador Civil e de Presidente da Câmara Municipal de Faro, entidade que o distinguiu com a «Medalha de Mérito – Grau Ouro». Criou diversas associações, entre as quais a CEAL e a ALGFUTURO. Uma lembrança que nunca se esquece, um dos mais ilustres farenses e algarvios, cuja memória perdurará pelos tempos fora, a o do amigo, porque verdadeiramente o era, o hoje sempre recordado dr. José Vitorino.

Auditório Carlos do Carmo recebe espetáculo “O Amante”

31 May 2026 at 17:11

Entre os dias 2 e 4 de junho, pelas 21h30, o largo do Auditório Carlos do Carmo, em Lagoa, recebe o espetáculo de teatro O Amante.

Os bilhetes, com o custo de 12 euros, podem ser adquiridos aqui.


O Amante, de Harold Pinter, é o ponto de partida para a nova criação da associação cultural Mákina de Cena.

“Sara e Rodrigo são um casal, mas também têm amantes. Na sua intimidade, aparentemente plena de cumplicidade e amor, mas afastada das normas sociais, descobriram diferentes formas de se relacionar, mantendo vivo o desejo e povoando o quotidiano de desafios e conflitos”, pode ler-se num comunicado da autarquia.

Conto

31 May 2026 at 16:06

Na tarde de quarta-feira, dia vinte e quatro de novembro de dois mil e dez, o outono mostrava-se generoso ao ensolarar sem máculas o céu de Baía dos Lobos. No pátio do prédio, balões multicolores enchidos a hélio, a Dora Exploradora de sorriso desenhado na toalha, nos copos e nos guardanapos, doces, brigadeiros e salgadinhos feitos com capricho por Guete e Lucinha durante toda a manhã, refrigerantes, pinhatas suspensas e confetes tentavam ludibriar a dura realidade dos dias comuns.

Os olhinhos brilhantes de Luana postos no imaginário do número cinco insuflado esvoaçando sobre si, aqueciam o peito da mãe a ponto de lhe derreter o coração de cera. Um cinco dourado que balançava ao ritmo leve da brisa, preso à mesa do bolo por um fio de nylon que fingia não estar lá – um cinco dourado que, por instantes de transe involuntário, transportou Lúcia até mil novecentos e oitenta e nove, revisitando-se nas ruas de Dançolândia com a idade que a filha agora completava, de mãozinhas presas à pipa pelos mesmos fios invisíveis com que naquele preciso momento amarrava os balões da festa. O amor despertado por Luana era a máscara de oxigénio que lhe permitia sobreviver ao vácuo de afinidades a que fora submetida ao longo da vida, pela ausência do pai que nunca existiu e da mãe que lhe falecera no auge da infância.

Benzeu-se como prova de gratidão ao destino – por ser mãe – e regressou a si para receber os amigos recém-chegados.

A pequena Beatriz vinha alegre pela mão de Verónica, colega de Lúcia e Guete na Hamburgueria, e redobrou o contentamento ao ver a aniversariante. Juntas correram pelo pátio exibindo coreografias de piruetas meticulosamente ensaiadas, ostentando a cumplicidade que as tornava inseparáveis.

O pátio foi ocupado pelos parcos colegas da hamburgueria que tinham conseguido folga nessa tarde e alguns amigos da igreja de domingo – parte deles com filhos de idades próximas à da pequena Luana.

A possibilidade de fugir ao real e habitar a fantasia, ocupar o lugar de princesa num reino protegido de todos os males, deixava-a tão feliz. Tomara um sorriso assim permanecesse cativo em todos os rostos da infância, repelindo em definitivo os crimes contra ela cometidos. Tomara se privilegiasse essa ternura como regra desprovida de exceções.

Umas crianças jogavam à bola, outras rebentavam pinhatas, outras ainda improvisavam no Karaoke ou desapareciam e apareciam no esconde-esconde quando se ouviu o cantar estridente dos pneus do carro de Miguel.

Luana, ao reconhecer aquele som, trepou instintivamente para o colo de Lúcia, enquanto meninos e meninas corriam assustados para abraçar as pernas dos pais e das mães, na intenção de se protegerem da atrocidade que lhes boicotava a brincadeira.

Com que então, Gritava a ponto lhe saltarem as veias pelo pescoço, A minha filha faz anos e ninguém me convida para a festa, não me digas que a cerveja não chega para todos, Lúcia.

Miguel, você sabe muito bem que esse final de semana a menina estará com você e vocês terão oportunidade de comemorar também, vai embora, estou te pedindo, por favor, não estrague mais um dia da vida da sua filha, ela não merece, vai embora daqui, Miguel.

Indiferente, virou-se para Luana e continuou, Este fim de semana o pai vai-te preparar a melhor surpresa da tua vida, porque tu sabes bem que o pai te ama e a mãe não presta, não sabes, minha filha, o pai vem-te buscar no sábado e vamos à Disney, queres ir à Disney com o papá, queres.

Guete, que já assistira de perto a violências anteriores de Miguel, não conteve a fúria, pegou no banco de cantos pontiagudos à sua frente e lançou-o contra a cabeça dele, fazendo-o recuar perante a evidência do perigo.

Incapaz de pensar nas consequências do impulso, depois de lhe furar a testa com a quina enferrujada, ainda o seguiu até ao carro, Vai embora, seu ogro, seu sem vergonha, seu nojento de merda, você não é homem não é nada, seu demónio, covarde que só sabe crescer em cima de criança, some daqui ou eu te mato na frente de todo o mundo, eu vou para o xilindró mas te garanto que você não machuca mais esta menina.

Tremendo-se por inteiro – suado, sangrado e de pupilas dilatadas -, já refundido dentro do carro, disse por fim, Prepara-te que é hoje que a polícia te bate à porta, ou te afastas da minha filha ou tens os dias contados pelos dedos de uma mão.

E arrancou, deixando para trás um rasto de terror, desproteção e injustiça, que se enraízaria irreversivelmente no mundo interior daquela criança. Uma ferida incicatrizável e para sempre exposta na epiderme dos seus afetos.

(próximo capítulo: edição 11 de junho)

Lagoa dinamiza Mega Aula de +HIT no dia 5 de junho

31 May 2026 at 15:05

O Programa Viva+ leva ao concelho de Lagoa a Mega Aula de +HIT 2026, no dia 5 de junho, entre as 19h e as 20h30, no Parque Urbano do Parchal.

O objetivo, de acordo com a autarquia, é promover hábitos de vida saudáveis e fazer com que os cidadãos experimentem diferentes modalidades do Programa Viva+.

Inscrições aqui.

Depois do silêncio

31 May 2026 at 14:04

Há quarenta anos, talvez um pouco mais, aquela avenida era ainda uma estrada de terra batida. O pó levantava-se devagar atrás dos carros raros, as vozes quase que se conheciam pelo nome e o silêncio não era ausência: era paisagem. Havia ruído, claro, mas um ruído humano, proporcional às horas e às necessidades. O mundo ainda não tinha aprendido a temer o vazio, ou a tomar consciência da presença deste.

Muitos anos depois veio a pandemia. E com ela, um silêncio estranho, quase clínico, assustado. As cidades ficaram suspensas e à deriva. Pela primeira vez em décadas, muita gente ouviu o som da própria respiração dentro de casa. Houve quem descobrisse o desconforto de estar consigo mesmo.

Outros encontraram nele uma espécie de revelação. Mas o silêncio, quando se prolonga, torna-se também um espelho, e nem todos suportam olhar demasiado tempo para dentro.

Talvez por isso o tempo atual da pós-pandemia tenha regressado com esta violência sonora. Como se a sociedade inteira tivesse decidido compensar o silêncio imposto, a falta de movimentos e o tempo perdido através do excesso. A avenida, outrora espaçosa até no silêncio, transformou-se numa montra permanente de presença. E de presença ruidosa que também se faz ver. Não pode haver pausa. Não pode haver quietude. O silêncio passou a ser confundido com abandono, fracasso ou invisibilidade.

As motos são talvez o símbolo mais evidente desta nova condição. Muitas surgem já alteradas de propósito, preparadas para romper o ar como uma declaração de existência. Não basta passar: é preciso ser ouvido. Há ali qualquer coisa de profundamente social e psicológica. Muitos dos que agora aceleram avenida acima talvez tenham passado décadas sem grande reconhecimento, sem estatuto, sem palco. O ruído oferece-lhes identidade instantânea. Durante alguns segundos, todos olham. Todos sabem que estão ali.

E qualquer crítica ao excesso sonoro é passível de ser recebida não como um pedido de convivência, mas como ataque pessoal. Porque, no fundo, não se está apenas a questionar uma mota; está-se a questionar uma afirmação de existência. Num tempo em que tantos vivem emocionalmente precarizados, qualquer tentativa de limite é interpretada como humilhação ou ameaça – a lembrar os limites da época pandémica? Daí as retaliações subtis, os ressentimentos silenciosos, as pequenas agressividades do quotidiano.

Ao mesmo tempo, regressaram as marcas ostensivas, os símbolos rápidos de prosperidade, as aparências de riqueza. Também elas fazem barulho, ainda que sem som. O consumo tornou-se linguagem emocional. Usa-se o objeto para produzir impacto, como se cada pessoa carregasse uma necessidade urgente de provar que venceu alguma coisa – mesmo que nem saiba exatamente o quê. O ruído já não é apenas acústico; é visual, social, performativo.

E voltaram também as filas. Curiosamente, as filas dos anos 80 regressam agora não por escassez material, mas por excesso de circulação humana? Filas para consumir, para fotografar, para participar, para não ficar de fora. A experiência contemporânea parece marcada por um medo profundo de desaparecer do movimento coletivo.

As obras espalhadas pelas cidades ocidentais encaixam perfeitamente neste quadro. Constroem-se prédios, remodelam-se espaços, perfuram-se ruas, como se a civilização tivesse horror à imobilidade. O martelo pneumático tornou-se banda sonora permanente. Tal como a música imposta em cafés, lojas, ginásios, esplanadas e elevadores. Hoje, quase nenhum espaço público aceita o silêncio como possibilidade legítima. O som ambiente tornou-se uma anestesia coletiva.

E depois há a velocidade. A fala acelerada, quase em verborreia. As opiniões prontas. A necessidade de responder imediatamente a tudo. Todos parecem especialistas instantâneos de todas as matérias.

Como se parar para pensar fosse já um sinal de fraqueza intelectual. A pausa, importante momento de ponderação, desapareceu do raciocínio e da conversa.

Talvez porque a pandemia tenha mostrado algo insuportável para o nosso tempo: que, quando tudo abranda, emerge aquilo que fomos adiando sentir, pensar, ver. E assim, parece que o corpo social reagiu como um sistema nervoso hiperativado. Um enorme organismo coletivo incapaz de regressar à quietude sem ansiedade.

No fundo, esta avenida já não é apenas uma avenida. É um retrato do nosso tempo: uma civilização exausta do silêncio, aterrorizada pela introspeção e viciada em estímulos constantes para não ter de escutar o que permanece por resolver dentro de si.

Museu de Portimão inaugura exposição dedicada à faina da sardinha

31 May 2026 at 13:11

O Museu de Portimão inaugura hoje, pelas 17h, a exposição “Arrifaina”, da autoria de João Bracourt, iniciativa integrada nas comemorações do Dia Nacional do Pescador.

Constituída por 11 fotografias, a mostra resulta de um registo da faina da sardinha a bordo da traineira “Arrifana”, desenvolvido a partir de uma “experiência inesperada em alto mar”.

“No início da operação, a câmara fotográfica utilizada pelo autor ficou inoperacional, permitindo apenas um breve registo inicial de 17 minutos. A partir dessa circunstância, João Bracourt recorreu a meios alternativos, como câmara de ação, telemóvel e drone, dando origem a uma abordagem visual assente na espontaneidade e na proximidade ao quotidiano vivido a bordo”, pode ler-se numa nota do Município de Portimão.

Da referida experiência nasceu a exposição fotográfica e o documentário “Arrifaina”, que irá ser apresentado às 21h.

A exposição integra também vários objetos associados à atividade piscatória e ficará patente ao público até ao dia 26 de junho e poderá ser visitada no Museu de Portimão, às terças-feiras, entre as 14h30 e as 18h, e de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h.

João “Brek” Bracourt, nascido em 1971, na Figueira da Foz, viveu sempre junto ao mar, entre a Figueira da Foz, Faro, Lagos e Portimão. “Ao longo da sua carreira, João Bracourt tem desenvolvido um olhar singular sobre o oceano e a cultura do surf, conciliando uma abordagem documental com uma forte componente artística. O seu trabalho distingue-se pela atenção ao detalhe, pela utilização expressiva da luz natural e pela capacidade de captar a dimensão crua e poética do mar”, pode ler-se na nota.

Três breves questões

31 May 2026 at 12:03

A sério, que tive que puxar pela cabeça para me lembrar o que fazia recordar a publicidade da FNAC, em que uma Alexandra Lencastre (percebi de quem se tratava, só à terceira visualização) lembrava que era tarde e o melhor seria não mandar mensagens no telemóvel, mas meter na cama Fernando Pessoa (o princípio será, um escritor de cada vez) obviamente em livro, parodia ao “Na cama com…” (anos noventa na SIC, vinte e sete episódios), como reparei depois. Não sei qual foi a ideia de dar a tudo aquilo um ar decadente, mas se não era para parecer, falharam em toda a linha. A publicidade parece-me muito desajustada, mas talvez fosse o que procuravam. Penso, no entanto, que falhar em toda a linha, pode funcionar ao contrário, na lógica do quanto pior, melhor.

Os observatórios de tudo e mais alguma coisa descobriram que, em Portugal, uma em cada sete crianças pobres passa fome. E eu que pensava que existiam famílias pobres e não crianças pobres, ou também existirão famílias ricas em que as crianças são pobres e ainda (o que tem que ser tem muita força), famílias pobres em que as crianças são ricas? Esta ideia de separar as crianças das famílias (para no fundo dar os mesmos resultados), terá sido ideia de quem? Provavelmente daqueles institutos que ganham à peça. Ou, falando em crianças pobres a malta toma mais atenção? Não sei, mas a menos que me elucidem não vejo a relevância das conclusões do estudo.

Lateralmente, só porque o li numa entrevista num jornal nacional, outros problemas e outros dados, vindos de outro observatório ou instituto, tudo muito psicológico e sociológico, que passaram na televisão, mas também na imprensa escrita: a questão do assédio no trabalho. Os números que avançaram eram poderosos, tudo em desfavor dos nossos patrões e de muitas das chefias intermédias, dentro da empresa. Para uma das autoras, entrevistada no “Público”, a questão do assédio era grave, mas já existia há muito tempo, só os assediados não tinham percebido. Eu compreendo o ponto de vista; esse tipo de relação de trabalho em que uns pressionam os outros de uma forma pouco lícita só agora parece ser nomeada. Mas penso haver aqui um pouco de política a mais.

Os tempos mudam e a natureza das coisas também. Não se pode comparar épocas sem perceber que eramos muito diferentes há sessenta anos. Talvez se pudesse pensar que uma criatura que não entende estar a ser assediada é porque, provavelmente não o está a ser, porque esse será, talvez o cerne do problema, Além de que não se pode ler uma sociedade de há setenta anos segundo os princípios de agora. Mas isso sou eu a assediar os meus quatro leitores.

Domingos Caetano sempre quis fazer música à sua maneira

31 May 2026 at 11:11

Domingos Caetano nasceu a 7 de dezembro de 1956, na Fuzeta. Músico, compositor e professor, começou por se afirmar como autodidata no mundo da música, antes de ingressar no conservatório, onde estudou piano e acústica. A sua atividade profissional iniciou-se nos bailes, passando posteriormente para eventos em hotéis, num percurso típico de muitos músicos da sua geração no Algarve. Tudo começou com uma guitarra e alguma rebeldia. A história recua a 1975, quando o irmão lhe trouxe uma guitarra de Angola que lhe mudaria o rumo. O resto fez-se com obsessão, curiosidade e algumas faltas às aulas pelo meio: “Eu faltava às aulas. Queria era tocar, aproveitar todo o tempo que tinha para aprender.” Não há romantização. Há honestidade. A paixão veio primeiro, tudo o resto veio depois. Depois de alguns ensaios com amigos, surge a primeira banda. Na altura já existia a banda “Pop 2002” e quando o guitarrista foi para a tropa, fizeram um acordo improvável: Domingos ficava com o material, tocava, e dividia o cachê. Foi assim que juntou dinheiro até comprar o próprio equipamento. “A partir daí foi sempre de seguida até hoje”, conta. Em 1979 nascem os Íris, uma das bandas de rock português mais antigas em atividade. A "brincadeira" que mudou tudo Durante anos, os Íris foram apenas um grupo de amigos a tocar por gosto. Sem estratégia, sem planos de carreira, até que surge uma “brincadeira” em palco. Inspirado em “The House of the Rising Sun”, Domingos criou uma versão muito própria: “Oh Mãe”, cantada com o sotaque carregado da Fuzeta, sem filtro. “O facto de cantar assim criou uma coisa completamente louca, porque ninguém fazia isso.” O impacto foi imediato: “Eu tinha que tocar aquela música às vezes quatro ou cinco vezes por noite. Toda a gente queria ouvir aquilo.” Aquilo que começou como improviso transforma-se num fenómeno local. O público insiste: aquilo tem de ser gravado. Mas Domingos resiste. “Gravar? Não pá, isso não tem piada nenhuma. Isso é uma brincadeira que eu faço.” Até que a pressão vence. Gravam uma maquete, sem grandes expectativas. Mas o acaso, ou o destino, volta a entrar em cena quando cruzam caminho com Neil Kay, ligado ao universo dos Iron Maiden, que frequentava os espaços onde a banda tocava em Faro. “Ele pegou nessa música e em mais algumas que nós tínhamos, levou e conseguimos este contrato com a Vidisco”, relembra. O resto acontece depressa: “Lançámos o primeiro CD e foi um sucesso.”

Domingos Caetano e Gabriel, que está a aprender a tocar bateria

O momento em que tudo muda O sucesso já se fazia sentir nos concertos, mas houve um instante, inesperado e quase irónico, que confirmou tudo. “Era 11 da manhã e eu a essa hora estou sempre a dormir”, recorda. O telefone toca: “‘Oh Mãe’ está em quarto lugar no top nacional.” A reação não foi imediata, nem eufórica: “O Íris no top nacional? Foi um choque.” Nesse momento, os Íris deixaram de ser apenas uma banda do Algarve para passar a fazer parte do país inteiro. Criar por gosto, nunca por o...

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Marchas Populares levam 500 participantes a Portimão

31 May 2026 at 10:10

Portimão vai contar com seis desfiles das Marchas Populares e Arraiais promovidos pelo movimento associativo local, em celebração dos Santos. A programação tem início no dia 4 de junho.

Na 25.ª edição, participam três coletividades culturais e recreativas: o Sporting Glória ou Morte Portimonense, com 56 marchantes; a Sociedade Recreativa Figueirense, com 52 elementos; e o CIRM – Clube de Instrução e Recreio Mexilhoeirense, com 50 participantes. Junta-se ainda a Marcha da Vila de Alvor, envolvendo 59 marchantes.

Pela primeira vez, integra também os desfiles uma instituição de solidariedade social, a CRACEP – Cooperativa de Reeducação e Apoio ao Cidadão Excepcional de Portimão, CRL, com 42 participantes.

O Portimão Arena, no Parque de Feiras e Exposições, recebe pela sexta vez o desfile de abertura, com música a cargo da Sociedade Filarmónica Portimonense, no dia 4 de junho, pelas 21h30, tal como todos os outros desfiles.

Os outros locais são: Campo de Futebol na Mexilhoeira Grande (5 de junho), Praia da Rocha, entre o Miradouro e a Fortaleza de Santa Catarina (12 de junho), Zona Ribeirinha de Alvor (19 de junho), Praça 1.º de Maio (26 de junho) e Montes de Alvor (28 de junho), a única realizado ao domingo.

No total, estarão envolvidos 500 participantes, entre marchantes, músicos, coreógrafos, figurinistas e voluntários.

Arraiais

Já os Arraiais Populares na Praça da República vão contar com a participação do Sporting Glória ou Morte Portimonense, do Clube União Portimonense, da Sociedade Vencedora Portimonense e do Clube Desportivo e Recreativo da Pedra Mourinha, em junho, nos sábados 6, 13, 20 e na sexta-feira, dia 26.

A animação musical começa a partir das 19h, com o seguinte programa: dia 6 – Grupo Coral de Portimão e Aradis Band (20h); dia 13 – Grupo de Cantares “Vozes do Glória” e Eulália Nunes (20h); dia 20 – “TUNATOCASNADA” do ICP – Instituto de Cultura de Portimão (190) e Alexandre Bernardo (20h); dia 26 – Grupo de Cante Alentejano do Centro Comunitário do Bairro Pontal (19h) e Marcelo Rio (20h).

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