O “Movimento Pela Fábrica” lançou um apelo público à participação cívica e à assinatura de uma petição que defende a manutenção do edifício da antiga Fábrica da Cerveja, em Faro, na esfera pública. A iniciativa surge face a preocupações sobre uma eventual alienação do imóvel a privados, cenário que os subscritores consideram “uma perda lesiva e irremediável para a cidade de Faro, o Algarve e o país”.
A petição pode ser consultada e assinada em Petição Pública PT131239.
No texto divulgado pela AMARELARTE, uma das entidades subscritoras do Movimento Pela Fábrica, é referido que a iniciativa reúne “entidades, associações, ONGs e grupos informais – culturais e cívicos –, empresas e cidadãos, nacionais e internacionais”, unidos pela oposição a uma eventual privatização do edifício, situado na histórica Fábrica da Cerveja, em Faro.
Segundo os subscritores, o espaço foi alvo de projetos de reabilitação aprovados em 2020 pelo município, após um processo de participação pública. Esses projetos previam a transformação do edifício num equipamento de uso público com vocação “cultural, tecnológica e científica”.
O movimento refere ainda que, em reunião de câmara realizada a 11 de maio, as respostas obtidas por parte do executivo municipal indiciam “falta de compromisso quer com a manutenção do edificado na esfera pública, quer com os projetos previamente aprovados para a sua reabilitação”.
Entre as preocupações expressas, os subscritores defendem que a cultura desempenha um papel estruturante na sociedade contemporânea, sublinhando que “constitui um dos pilares fundamentais de uma sociedade democrática, inclusiva e inovadora” e que é através dela que se constrói “identidade, pensamento crítico, coesão social e projeção internacional”.
No documento, é ainda defendido que a eventual passagem do edifício para fins exclusivamente privados representaria uma perda estrutural para o ecossistema cultural regional, comprometendo o acesso a um espaço que poderia funcionar como “centro vivo de experimentação artística e tecnológica, produção cultural e participação cidadã”.
O movimento conclui que “defender a Fábrica da Cerveja é defender a memória, o património e o direito de todos ao acesso à cultura”, apelando ao executivo municipal para que não proceda à alienação do imóvel e que avance com medidas de salvaguarda estrutural do edifício, bem como com a concretização dos fins aprovados em 2020.
A discussão em torno do futuro da Fábrica da Cerveja mantém-se assim como um tema central no debate cultural e urbanístico em Faro, com mobilização crescente de coletivos e cidadãos em defesa da sua manutenção enquanto equipamento público.
Recorde-se que, na semana passada, o Jornal do Algarve já tinha abordado o tema. Na altura, perante as dúvidas e críticas suscitadas em torno de uma eventual alienação do imóvel, o presidente da Câmara Municipal de Faro, António Miguel Pina, garantiu que “não existe qualquer decisão tomada relativamente ao futuro da Fábrica da Cerveja”, assegurando ainda que, quando chegar o momento de discutir o destino do edifício, o processo decorrerá “com transparência, seriedade e envolvendo a comunidade”.