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“Maior erro de sempre”: Bill Gates admite falha catastrófica que custou quase 350 mil milhões de euros à sua empresa

A história da tecnologia está cheia de decisões que mudaram mercados inteiros, mas poucas tiveram um impacto tão visível como a disputa pelo domínio dos telemóveis. No caso da Microsoft, a entrada tardia e pouco eficaz no ecossistema móvel tornou-se um dos episódios mais marcantes da carreira de Bill Gates.

O fundador da Microsoft admitiu que o maior erro da sua carreira foi a má gestão que impediu a empresa de ocupar o lugar que viria a ser conquistado pelo Android, hoje associado à Google e dominante entre os sistemas operativos móveis.

A confissão foi feita numa entrevista à empresa de investimento Village Global, citada pelo portal americano especializado em tecnologia The Verge, na qual Gates estimou que essa oportunidade perdida poderia ter valido cerca de 400 mil milhões de dólares, cerca de 343 mil milhões de euros.

Falha que abriu espaço à Google

A Microsoft tinha sido durante décadas a grande referência dos computadores pessoais, mas não conseguiu repetir esse domínio quando o mercado começou a deslocar-se para os smartphones. A empresa tentou responder com Windows Mobile e, mais tarde, com Windows Phone, mas a transição revelou-se lenta e desajustada face ao avanço da Apple e da Google.

Bill Gates reconheceu que, nos mercados de plataformas, a vitória tende a concentrar-se num pequeno número de empresas. Nas suas palavras, traduzidas para português, “o maior erro de sempre” foi a má gestão que levou a Microsoft a não ser aquilo que o Android se tornou.

A Google comprou a Android Inc. em 2005, numa altura em que o mercado dos telemóveis ainda estava longe do cenário atual. A aposta acabaria por transformar o Android no principal sistema operativo móvel fora do universo Apple, precisamente o espaço que Gates considerava natural para a Microsoft ocupar, de acordo com a entrevista citada.

Android tornou-se o rival que a Microsoft não conseguiu travar

O peso do Android continua a ser expressivo. Segundo dados da empresa americana StatCounter, em abril deste ano, o sistema operativo da Google tinha 67,35% do mercado móvel mundial, enquanto o iOS surgia com 32,55%. Estes valores ajudam a perceber a dimensão da oportunidade que escapou à Microsoft.

A leitura de Gates é simples: havia espaço para um grande sistema operativo não pertencente à Apple, e esse lugar acabou por ser ocupado pela Google.

Para a Microsoft, que já tinha experiência, escala e relações fortes com fabricantes, a derrota no setor móvel tornou-se uma das falhas estratégicas mais estudadas da indústria tecnológica.

Resposta do fundador do Android

A confissão de Bill Gates voltou a ganhar destaque quando Rich Miner, um dos fundadores do Android, reagiu no X. Miner escreveu, em tradução para português, que ajudou “literalmente a criar o Android para impedir que a Microsoft controlasse o telefone como controlava o PC”, acrescentando que via esse domínio como um risco para a inovação.

A frase mostra que o Android não nasceu apenas como mais um produto tecnológico, mas também como resposta ao receio de que a Microsoft pudesse transportar para os telemóveis a influência que tinha nos computadores pessoais. Esse contexto ajuda a explicar a intensidade da disputa nos primeiros anos dos smartphones.

Steve Ballmer, antigo CEO da Microsoft, também reconheceu problemas na estratégia da empresa. Numa entrevista citada pela publicação Windows Central, admitiu que a Microsoft foi demasiado confiante no Windows e tentou levar o sistema para áreas onde este não se encaixava naturalmente.

Excesso de confiança saiu caro

Ballmer resumiu essa falha ao afirmar, em tradução para português: “Fomos demasiado confiantes. Não acho que tenhamos insistido demasiado tempo no Windows. Acho que tentámos colocar o Windows em lugares onde ele não se encaixava naturalmente.”

Essa insistência acabou por deixar a Microsoft numa posição frágil num mercado que exigia rapidez, aplicações, experiência tátil intuitiva e uma resposta clara ao iPhone. Enquanto a empresa reorganizava a sua estratégia móvel, o Android crescia entre fabricantes e consumidores.

O resultado foi uma viragem histórica. A Microsoft manteve a sua força nos computadores e no software empresarial, mas perdeu a corrida dos smartphones para a Google e para a Apple, num erro que Bill Gates ainda identifica como o mais caro da sua carreira.

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Vem aí descida ‘acentuada’ do preço dos combustíveis: este é o valor que vão baixar

O preço dos combustíveis volta a estar no centro das atenções dos condutores portugueses, numa altura em que cada ida à bomba pesa cada vez mais no orçamento familiar. Depois de semanas marcadas por subidas, a primeira semana de junho deverá trazer algum alívio para quem abastece gasolina ou gasóleo.

A partir da próxima semana, de 1 a 7 de junho, tanto a gasolina como o gasóleo deverão ficar 12 cêntimos por litro mais baratos, segundo a previsão divulgada pelo Automóvel Club de Portugal (ACP).

Descida deverá abranger gasolina e gasóleo

A previsão aponta para uma redução expressiva nos dois combustíveis mais usados em Portugal. No caso da gasolina simples 95, a descida deverá ser de 12 cêntimos por litro, o mesmo valor previsto para o gasóleo simples, avança o ACP.

Esta evolução surge depois de uma semana em que os preços tinham voltado a subir. Entre sexta-feira e segunda-feira, a gasolina ficou 1,2 cêntimos mais cara, enquanto o gasóleo aumentou cerca de meio cêntimo.

Quanto custam agora os combustíveis?

De acordo com os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o preço médio do gasóleo simples estava nos 1,957 euros por litro na passada sexta-feira, 29 de maio. Já a gasolina simples 95 apresentava um preço médio de 2,024 euros por litro.

Na prática, se a previsão se confirmar, muitos condutores poderão sentir uma diferença relevante no momento de abastecer. Ainda assim, o valor final pago em cada posto pode variar consoante a marca, a localização e a política comercial de cada operador.

Governo ajustou desconto no ISP

A evolução dos preços acontece também num momento em que o Governo voltou a mexer no desconto extraordinário do ISP. Segundo a informação disponível, o desconto foi aumentado em 0,305 cêntimos por litro no gasóleo e em 0,315 cêntimos por litro na gasolina.

Este mecanismo tem sido usado para atenuar parte do impacto das oscilações dos combustíveis no mercado internacional. Ainda assim, as variações semanais continuam a refletir fatores como o preço da matéria-prima, a carga fiscal e os custos de distribuição.

ERSE tinha apontado subida esta semana

Antes desta previsão de descida, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) tinha calculado uma subida do preço eficiente semanal de 0,1% na gasolina e de 0,3% no gasóleo para a semana de 25 a 31 de maio.

Segundo a mesma entidade, o preço eficiente com impostos situava-se em 2,075 euros por litro para a gasolina simples 95 e em 2,068 euros por litro para o gasóleo simples. Estes valores refletem a evolução das cotações internacionais e servem como referência para avaliar os preços praticados no mercado.

Condutores devem comparar antes de abastecer

Apesar da descida prevista, a diferença entre postos pode continuar a ser significativa. Por isso, consultar os preços praticados na zona antes de abastecer pode ajudar a poupar ainda mais, sobretudo em depósitos maiores.

A confirmar-se a redução de 12 cêntimos por litro, a primeira semana de junho poderá trazer um alívio raro para os automobilistas, depois de vários dias em que tanto a gasolina como o gasóleo voltaram a pressionar o orçamento dos portugueses.

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Nesta região de Portugal os impostos e regras fiscais são diferentes do resto do país e é isto que muda para ‘melhor’

Os impostos na Região Autónoma dos Açores são um tema que levanta muitas dúvidas a quem vive no arquipélago, pensa mudar-se para as ilhas ou tem uma empresa com atividade na região. Apesar de Portugal ter um sistema fiscal nacional, a autonomia regional permite adaptar algumas regras à realidade insular, marcada pela distância ao continente e por custos próprios da vida numa região ultraperiférica.

A principal diferença está no facto de os Açores poderem aplicar reduções próprias em impostos como o IRS, o IRC e o IVA.

De acordo com a Lei das Finanças das Regiões Autónomas, é permitido que as assembleias legislativas regionais diminuam as taxas nacionais destes impostos até ao limite de 30%, tendo em conta a situação financeira e orçamental da região, explica o Diário da República.

Autonomia fiscal pensada para compensar a insularidade

No caso dos Açores, esta adaptação fiscal não é recente. O diploma regional que adapta o sistema fiscal nacional ao arquipélago refere que a redução da carga fiscal pretende melhorar as condições de vida dos residentes e reforçar a competitividade das empresas que suportam os custos da insularidade, segundo o Decreto Legislativo Regional n.º 2/99/A.

Na prática, isto significa que a situação fiscal de uma pessoa ou empresa nos Açores pode ser diferente da verificada no continente. No entanto, essa diferença não quer dizer que todos paguem automaticamente menos em todos os impostos, porque há regras de residência fiscal, localização da atividade, tipo de rendimento e natureza da operação a ter em conta.

IVA mais baixo do que no continente

Uma das diferenças mais visíveis está no IVA. Em Portugal continental, as taxas são de 6%, 13% e 23%, enquanto na Região Autónoma dos Açores são de 4%, 9% e 16%, respetivamente para a taxa reduzida, intermédia e normal, indica o portal gov.pt.

Isto pode fazer diferença no preço final de muitos bens e serviços, embora o impacto sentido pelo consumidor dependa sempre do produto, do setor e da forma como cada empresa reflete essa diferença nos preços. A taxa normal de 16% nos Açores, por exemplo, fica bastante abaixo dos 23% aplicados no continente.

IRS também tem adaptação regional

No IRS, a regra regional prevê uma redução de 30% sobre as taxas nacionais aplicáveis, quando estejam em causa pessoas singulares fiscalmente residentes nos Açores. O mesmo diploma explica que a redução se aplica ao IRS devido por residentes fiscais na região, independentemente do local onde exerçam a atividade.

Ainda assim, convém distinguir taxa de imposto e imposto final. O valor que cada contribuinte paga depende também dos rendimentos, deduções, composição do agregado familiar e retenções na fonte. Para 2026, foram aprovadas tabelas próprias de retenção na fonte para rendimentos do trabalho dependente e pensões de titulares residentes nos Açores, com efeitos desde 1 de janeiro de 2026, segundo o Despacho n.º 1179/2026.

Empresas também têm regras diferentes no IRC

As empresas com sede, direção efetiva ou estabelecimento estável nos Açores também beneficiam de adaptação fiscal. O regime regional determina uma redução de 30% nas taxas nacionais de IRC, aplicável nos termos previstos para entidades com ligação fiscal à região.

Além disso, o Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2026 mantém uma taxa de IRC de 8,75% para empresas que exerçam diretamente e a título principal uma atividade agrícola, comercial, industrial ou de prestação de serviços, desde que sejam qualificadas como micro, pequenas ou médias empresas, de acordo com o Decreto Legislativo Regional n.º 27/2025/A, e que deve ser apresentada como taxa aplicável nos termos do artigo 41.º-B do Estatuto dos Benefícios Fiscais, em regra aos primeiros 50.000 euros de matéria coletável.

O mesmo orçamento regional prevê ainda benefícios fiscais ligados ao reinvestimento de lucros em áreas consideradas estratégicas, como promoção turística, investigação e desenvolvimento, reforço da capacidade de exportação, energias renováveis, eficiência energética, aquicultura, transformação de pescado e aquisição de veículos elétricos.

Nem tudo muda, mas há diferenças importantes

Apesar destas particularidades, os Açores continuam integrados no sistema fiscal português. Ou seja, muitos procedimentos, declarações e obrigações fiscais seguem regras nacionais, ainda que adaptadas em pontos concretos pela legislação regional.

Para os contribuintes, a grande diferença está sobretudo nas taxas reduzidas e no enquadramento fiscal próprio da região. Para as empresas, a localização da atividade, a sede, o estabelecimento estável e o volume de negócios imputável aos Açores podem ser decisivos para perceber que regime se aplica.

No fundo, viver ou investir nos Açores não significa estar fora do sistema fiscal português, mas sim dentro de uma versão adaptada à realidade do arquipélago. É essa autonomia que explica por que razão impostos como o IVA, o IRS e o IRC podem ter um peso diferente nas ilhas quando comparados com o continente.

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Em junho “águas mil”? Novo mês vai trazer chuva e descida das temperaturas a partir desta data e estas serão as regiões afetadas

A entrada de junho deverá trazer uma mudança no estado do tempo em Portugal continental, depois de vários dias marcados por calor intenso, valores pouco habituais para maio e uma onda de calor acompanhada pelo IPMA. A descida das temperaturas deverá sentir-se de forma gradual, com maior influência do ar marítimo e possibilidade de chuva fraca em algumas regiões.

A onda de calor teve início a 20 de maio e, segundo a atualização do IPMA com dados recolhidos até às 10h UTC de 28 de maio, 16 estações meteorológicas automáticas encontravam-se nessa situação.

O instituto destacou ainda o novo extremo absoluto de temperatura máxima para maio, registado em Mora, com 40,3 °C, valor que ultrapassou anteriores referências históricas do mesmo mês, de acordo com a Meteored.

Calor começa a perder força

Depois do episódio de calor extremo que marcou a reta final de maio, a primeira semana de junho deverá trazer um ambiente menos quente em várias zonas do país. De acordo com a mesma fonte, a mudança estará associada à substituição gradual da massa de ar muito quente e seca por uma massa mais fresca e húmida, vinda do Atlântico e com origem polar marítima.

A descida das temperaturas deverá ser mais evidente primeiro no litoral Norte e Centro, estendendo-se depois a outras regiões. O interior poderá manter calor mais intenso até ao início da semana, mas a partir de terça-feira, 2 de junho, o alívio térmico deverá chegar a grande parte de Portugal continental.

Fluxo de noroeste ajuda a mudar o tempo

A mudança estará relacionada com a deslocação progressiva da massa de ar quente para leste e com a entrada de um fluxo de noroeste. Este padrão favorece a chegada de ar marítimo mais fresco, o que deverá contribuir para regular as temperaturas, sobretudo na faixa costeira ocidental e nas regiões Norte e Centro.

Ainda assim, a descida não deverá acontecer da mesma forma em todo o território. Alguns pontos do Baixo Alentejo e do Sotavento Algarvio poderão continuar a sentir valores mais elevados durante mais tempo, antes de a mudança se tornar mais generalizada.

O IPMA, no boletim de previsão alargada produzido com base nas previsões do ECMWF, indicava que para a semana de 1 a 7 de junho não era possível identificar uma anomalia estatisticamente significativa na temperatura média semanal ou na precipitação acumulada. Ou seja, os cenários apontavam para maior normalização face ao calor excecional anterior, mas sem sinal estatístico forte para desvios semanais marcados.

NAO positiva pode marcar o arranque de junho

A Meteored refere ainda que os primeiros dias de junho poderão ser influenciados por um regime de NAO positiva, associado a um anticiclone dos Açores robusto e a uma depressão da Islândia também ativa. Este padrão tende a favorecer a circulação de depressões atlânticas mais a norte da Europa, mas pode permitir alguma variabilidade no estado do tempo em Portugal.

As previsões sub-sazonais do ECMWF são usadas precisamente para avaliar tendências nas semanas seguintes, comparando as condições previstas com a climatologia do modelo. O próprio ECMWF explica que este tipo de previsão dá uma visão geral das condições prováveis até 46 dias, focando-se sobretudo em médias semanais e desvios face ao normal.

Chuva pode regressar ao Norte e Centro

Apesar da presença do anticiclone dos Açores, a sua posição poderá permitir a passagem de algumas frentes atlânticas já enfraquecidas. Isso poderá traduzir-se em precipitação fraca e dispersa, sobretudo no litoral Norte e Centro e em algumas áreas de montanha, nos primeiros dias de junho.

A mesma previsão aponta para tempo mais variável durante a primeira semana do mês, com dias mais secos a alternarem com períodos de maior nebulosidade e alguma instabilidade. A possibilidade de chuva poderá voltar a colocar-se entre os dias 5 e 6 de junho, novamente com maior probabilidade nas regiões Norte e Centro.

Tempo mais fresco, mas com incerteza

A previsão alargada deve ser lida com prudência, uma vez que trabalha com cenários probabilísticos. O IPMA lembra que, neste tipo de previsão, a confiança diminui sobretudo a partir da segunda semana, sendo necessário interpretar os resultados com reservas.

Ainda assim, depois de vários dias de calor intenso, os modelos apontam para uma mudança clara no padrão dominante.

A chegada de ar marítimo mais fresco, o reforço do vento de oeste e noroeste e a possibilidade de frentes atlânticas deverão marcar o início de junho com temperaturas mais amenas e algum regresso da chuva, sobretudo no Norte e Centro do país.

Leia também: Vem aí vento forte, chuva e nevoeiro: IPMA prevê mudança no tempo nestas regiões

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Longe da confusão, conheça a praia do Algarve que está deserta até no verão

Encontrar uma praia ‘deserta’ no Algarve em pleno verão pode parecer uma tarefa difícil, sobretudo nos meses em que a região recebe mais visitantes. Ainda assim, há recantos onde o silêncio, a natureza e o mar continuam a marcar o ritmo do dia, longe das zonas mais movimentadas e dos areais cheios de chapéus de sol.

É o caso da Praia da Barrinha, em Faro, um ponto recôndito da Ria Formosa que continua a ser associado à ideia de praia quase deserta. Segundo o blog Visit Algarve, trata-se de uma zona muito tranquila, normalmente sem grandes concentrações de pessoas, acessível a pé a partir da Praia de Faro ou de barco.

Onde fica e por que continua quase deserta

Situada na extremidade nascente da Península do Ancão, muitas vezes associada à chamada Ilha de Faro, a Praia da Barrinha oferece uma frente atlântica ampla e uma paisagem marcada pela proximidade à Ilha Deserta, também conhecida como Ilha da Barreta. A zona integra o Parque Natural da Ria Formosa, área protegida caracterizada por ilhas-barreira, dunas, sapais e canais, segundo o Instituto de Conservação da Narureza e das Florestas (ICNF).

O principal motivo para continuar longe das maiores enchentes está no acesso. Quem parte da Praia de Faro tem de caminhar por um longo passadiço de madeira e seguir depois até ao areal, enquanto a alternativa passa por chegar de barco, opção que exige maior planeamento. Essa dificuldade ajuda a explicar porque é que a Barrinha mantém um ambiente mais reservado, de acordo com a fonte inicialmente citada.

Uma praia sem bares nem música de fundo

A ausência de grandes infraestruturas turísticas reforça o caráter natural da praia. Na Barrinha não há a mesma oferta de bares, restaurantes ou apoios que se encontra noutros areais mais urbanos, pelo que quem a visita deve preparar-se com água, comida ligeira e proteção contra o sol. O portal Info Beach descreve-a como uma praia sem infraestrutura, selvagem e acessível por passadiço ou por barco.

Esta característica também ajuda a preservar o sistema dunar e a vegetação costeira. O percurso sobre passadiços permite atravessar zonas sensíveis sem pisar diretamente as dunas, reduzindo o impacto da presença humana num território que faz parte de uma das áreas naturais mais importantes do Algarve.

Segurança e particularidades da maré

O nome Barrinha está ligado à barra que separa a zona lagunar do Atlântico, num ponto onde a paisagem muda com o vento, as ondas e as marés. O blog algarvio anteriormente citado destaca precisamente essa alteração constante da linha de costa, uma das características mais marcantes deste recanto da Ria Formosa.

Por essa razão, a visita exige atenção redobrada, sobretudo junto às zonas de corrente. Em maré baixa, a paisagem ganha bancos de areia e zonas rasas que atraem quem procura fotografias e passeios demorados, mas os banhistas devem respeitar sempre a sinalização e evitar zonas sem condições de segurança.

Reserva natural de aves migradoras

A envolvente da Praia da Barrinha é também relevante para a observação de aves. A Ria Formosa funciona como local de passagem e permanência para várias espécies, num conjunto de habitats que inclui sapais, dunas, canais e zonas lagunares, de acordo com o ICNF.

Além das aves, o sistema dunar do Algarve é também habitat de espécies como o camaleão-comum, associado às zonas costeiras e à vegetação dunar. Por isso, caminhar pelos passadiços e evitar sair dos percursos assinalados é uma forma simples de proteger este equilíbrio natural.

Dicas para uma visita responsável

Quem planeia passar várias horas nesta praia deve levar tudo o que precisa para o dia, incluindo água, refeições leves, chapéu e guarda-sol. Como se trata de uma zona sem apoio turístico permanente, a visita exige mais preparação do que uma ida a uma praia urbana.

Também é importante trazer de volta todo o lixo produzido durante o dia. A regra deve ser simples: nada deve ficar no areal ou nas dunas. Este cuidado é ainda mais relevante numa área integrada no Parque Natural da Ria Formosa, onde a preservação dos habitats depende também do comportamento dos visitantes.

Nos meses de maior calor, a melhor opção passa por começar a caminhada cedo ou escolher horários de menor exposição solar. Além de tornar o percurso mais confortável, esta escolha permite aproveitar a praia com mais tranquilidade e observar a paisagem com outra luz.

Localização desta praia quase deserta

A Praia da Barrinha fica no concelho de Faro, na ponta oriental da Península do Ancão, com acesso a partir da Praia de Faro através de um longo passadiço de madeira ou por barco. A localização afastada das zonas mais movimentadas é precisamente um dos fatores que ajudam a manter o ambiente tranquilo.

Quem chega de carro pode dirigir-se à zona da Praia de Faro e, a partir daí, seguir a pé, de acordo com o Visit Algarve. No verão, o estacionamento pode ser mais difícil, pelo que a visita exige alguma margem de tempo. Para quem prefere evitar a caminhada, os passeios ou táxis marítimos a partir de Faro podem ser uma alternativa, dependendo das condições de maré e da disponibilidade dos operadores locais.

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Adeus mensagens spam: proposta aprovada pelo Governo vai obrigar operadoras a fazer isto

As fraudes digitais nas comunicações eletrónicas têm aumentado a preocupação entre utilizadores, empresas e autoridades, sobretudo quando envolvem mensagens falsas, chamadas com identidade manipulada ou tentativas de obter dados pessoais através de contactos aparentemente legítimos.

O Governo aprovou uma proposta de autorização legislativa que obriga as operadoras a bloquear ou anonimizar mensagens fraudulentas e a identificar os utilizadores de cartões pré-pagos móveis, segundo o comunicado do Conselho de Ministros no dia 29 de maio.

Medida segue agora para o parlamento

A proposta de lei foi aprovada na sexta-feira, em Conselho de Ministros, e será remetida à Assembleia da República sob a forma de autorização legislativa.

O objetivo é “reforçar a segurança e a fiabilidade das comunicações eletrónicas e proteger os utilizadores contra práticas abusivas, como a usurpação de números de telefone e identificadores de mensagens”.

De acordo com o comunicado, o diploma prevê novas obrigações para as empresas que prestam serviços de comunicações. Entre essas obrigações está a adoção de mecanismos de deteção e combate a fraudes, incluindo o bloqueio ou anonimização de mensagens fraudulentas ou que contenham hiperligações enganosas.

Identificação de cartões pré-pagos passa a ser obrigatória

A proposta também torna obrigatória a identificação dos utilizadores de cartões pré-pagos móveis. Esta medida pretende reforçar a rastreabilidade de comunicações associadas a possíveis práticas fraudulentas, de acordo com o que foi divulgado pelo executivo.

O diploma prevê ainda a possibilidade de instalação de inibidores de sinal móvel em estabelecimentos prisionais, com o objetivo de reforçar as condições de segurança nesses espaços.

Anacom esteve envolvida no desenho da legislação

Na segunda-feira, a presidente da Anacom afirmou que o regulador tem estado envolvido no desenho desta futura legislação de combate às fraudes digitais através da técnica conhecida como “spoofing”.

O “spoofing” é uma técnica de falsificação de identidade em que os burlões usam o nome ou referências de pessoas ou entidades confiáveis para tentar obter dados pessoais e praticar fraudes. Um exemplo é a falsificação de um número de telefone de um organismo público, fazendo parecer que a chamada está a ser feita a partir de um contacto oficial.

Portugal ainda não tinha legislação contra o “spoofing”

Na mesma ocasião, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, lembrou que Portugal é o único país da União Europeia que ainda não legislou o combate ao “spoofing”.

Com esta proposta, o Governo pretende reforçar a proteção dos utilizadores e aumentar a responsabilidade das operadoras no combate a mensagens fraudulentas, hiperligações enganosas e práticas de usurpação de identidade nas comunicações eletrónicas.

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Nem Porto, nem Lisboa: foi esta cidade do Algarve que ‘conquistou’ os espanhóis como destino ideal de verão

O Algarve continua a afirmar-se como uma das regiões mais procuradas por quem visita Portugal, não só pelas praias, mas também pelo património, pela gastronomia e por um ritmo de vida mais calmo. Entre os destinos que mais têm despertado atenção além-fronteiras, esta cidade algarvia voltou a ganhar destaque entre os espanhóis por reunir história, natureza e autenticidade no mesmo cenário.

Segundo o canal espanhol LaSexta, Faro é uma das cidades portuguesas que mais tem vindo a conquistar turistas espanhóis, aparecendo como uma alternativa menos evidente do que Lisboa ou Porto, mas cada vez mais apreciada por quem quer conhecer o sul do país de forma mais completa.

Como capital do Algarve, Faro beneficia também da sua localização estratégica. Com aeroporto internacional e uma dimensão urbana equilibrada, a cidade funciona como porta de entrada para a região, sem perder a atmosfera acolhedora que a distingue de outros destinos turísticos mais massificados.

Entre muralhas, arcos e séculos de história

As origens de Faro remontam à época romana, quando era conhecida como Ossonoba, segundo o blog Visit Faro. Ao longo dos séculos, a cidade atravessou diferentes períodos de domínio, incluindo a presença muçulmana e, mais tarde, a reconquista cristã, deixando marcas visíveis no traçado urbano e na arquitetura.

É precisamente essa herança que dá identidade ao centro histórico. O Arco da Vila, um dos locais mais emblemáticos da cidade, e as muralhas que delimitam a antiga Vila Adentro continuam a testemunhar a passagem de várias culturas por este território.

No interior da Cidade Velha, as ruas estreitas e empedradas convidam a passeios sem pressa. É uma zona onde o ambiente se mantém mais resguardado e onde o passado continua bastante presente, tanto nos edifícios como na forma como o espaço se organiza.

Cidade antiga continua a ser um dos maiores trunfos

Entre os principais pontos de interesse está a Sé Catedral de Faro, construída em 1251 sobre uma antiga mesquita. O edifício reúne diferentes influências arquitetónicas e oferece, a partir da torre, uma vista ampla sobre a cidade e sobre a paisagem envolvente da Ria Formosa.

O próprio Arco da Vila, uma das entradas mais fotografadas de Faro, conserva no seu interior um arco em ferradura de origem islâmica, elemento que ajuda a compreender a diversidade histórica da cidade e a sucessão de civilizações que por ali passaram.

Outro dos espaços que mais impressiona os visitantes, de acordo com a mesma fonte, é a Capela dos Ossos de Faro, integrada na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Decorada com ossos de mais de 1.200 monges carmelitas, continua a ser um dos locais mais marcantes do património religioso algarvio.

Ria Formosa reforça o lado natural da cidade

Nas proximidades de Faro estende-se o Parque Natural da Ria Formosa, uma das zonas húmidas mais importantes da Europa. Com canais, sapais e ilhas-barreira, esta área protegida tem um papel central na identidade local e é também um dos grandes atrativos para quem procura natureza preservada junto ao mar.

A Praia de Faro, situada numa dessas ilhas, é apontada como um dos espaços mais apreciados por quem quer juntar cidade e praia no mesmo destino. Além do areal, a zona permite explorar o ecossistema através de passeios de barco ou de caiaque, muitas vezes acompanhados por guias locais.

Sabores locais e uma cidade virada para a ria

Mesmo junto à Cidade Velha, a marina de Faro tornou-se um dos pontos mais movimentados da cidade, refere ainda a mesma fonte. As esplanadas, os restaurantes e a proximidade da ria transformaram esta zona num espaço de encontro entre residentes e turistas, mas também num ponto de partida para visitas às ilhas e outras atividades náuticas.

A gastronomia é outro dos aspetos que mais cativa quem chega. Pratos como cataplana de marisco, arroz de lingueirão ou sardinhas assadas continuam entre as propostas mais associadas à região, a par de doces tradicionais como Dom Rodrigo ou figos recheados.

O Museu Municipal de Faro, instalado no antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção, ajuda a completar esse retrato da cidade, reunindo peças de arqueologia romana, arte sacra e pintura que permitem compreender melhor a evolução histórica do Algarve.

Uma cidade com peso histórico no sul do país

Faro mantém ainda uma ligação especial à própria origem do nome Algarve. A designação deriva do árabe Al-Gharb al-Andalus, expressão que significa “o ocidente do al-Andalus”, e a cidade, então chamada Ossonoba, teve um papel relevante na organização administrativa da região durante a ocupação muçulmana.

No século X, chegou mesmo a cunhar a sua própria moeda, sinal da importância económica e política que teve no sul da Península Ibérica. Hoje, essa profundidade histórica continua bem visível em muitos recantos da cidade, ajudando a explicar porque é que Faro continua a encantar quem a visita.

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