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Os mosquitos podem sentir-se atraídos por repelentes — e associá-los a refeições

O DEET é amplamente utilizado em repelentes de insetos e continua a ser uma das principais escolhas para proteção contra picadas de mosquito. No entanto, uma equipa de cientistas descobriu que este composto pode, em determinadas condições, atrair os insetos em vez de os afastar. O uso deste tipo de proteção é comum em diversos países, sobretudo porque as picadas de mosquito podem transmitir doenças graves, como dengue, malária e zika. Num novo estudo, publicado esta quinta-feira na Journal of Experimental Biology, os investigadores observaram inicialmente o comportamento de mosquitos capturados enquanto tentavam picar um saco com sangue ao qual

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Deve ou não remover as cutículas das unhas? Saiba o que dizem os especialistas

As cutículas têm uma função importante na proteção das unhas, mas continuam a dividir opiniões entre quem prefere removê-las e quem defende que devem ser apenas empurradas. Especialistas ouvidos pelo website de Martha Stewart alertam que cortar esta zona pode aumentar o risco de infeções, sobretudo quando a manicura é feita em casa.

O cuidado com as unhas faz parte da rotina de muitas pessoas, mas nem todos os gestos feitos durante a manicura são inofensivos. Um dos temas que mais dúvidas levanta está relacionado com as cutículas, a pequena camada de pele junto à base da unha.

Há quem as remova por razões estéticas, para deixar a unha com um aspeto mais limpo e uniforme. No entanto, dermatologistas e profissionais da área recomendam prudência, uma vez que as cutículas funcionam como uma barreira natural de proteção.

Cutículas protegem a unha

De acordo com especialistas citados pelo website de Martha Stewart, a recomendação geral é não remover as cutículas, sobretudo quando o procedimento é feito em casa e sem acompanhamento profissional.

O principal risco está no facto de esta pele ajudar a proteger a unha contra bactérias, fungos e outros agentes externos. Quando é cortada em excesso, podem surgir pequenas feridas, irritação, inflamação ou infeção.

“As cutículas servem para proteger as unhas e funcionam como uma barreira protetora”, explicou Renee Oquel Mesa, manicura profissional, ao mesmo website. Segundo a especialista, cortar demasiado esta zona pode causar feridas e aumentar o risco de problemas.

Empurrar pode ser uma alternativa mais segura

Em vez de cortar, muitos profissionais aconselham empurrar suavemente as cutículas. Este gesto permite melhorar o aspeto da unha sem eliminar totalmente a proteção natural.

Ainda assim, o procedimento deve ser feito com cuidado e com utensílios próprios. A pele deve estar amolecida, para evitar lesões e desconforto.

Segundo os especialistas, a forma mais segura passa por aplicar um produto próprio, como um sérum ou amolecedor de cutículas, e mergulhar as mãos em água morna durante alguns minutos antes de empurrar a pele com delicadeza.

Quando se deve evitar mexer nas cutículas?

A remoção completa deve ser evitada, mas pode haver uma exceção quando existe excesso de pele depois de empurrar a cutícula para trás. Mesmo nesses casos, o corte deve ser limitado e feito com cuidado.

O procedimento pode ser repetido uma vez por semana ou de duas em duas semanas, dependendo do crescimento das unhas e das cutículas.

No entanto, não se deve empurrar nem cortar a zona se existirem cortes, peles soltas, vermelhidão, dor, inchaço ou sinais de infeção. Nesses casos, o mais prudente é deixar a pele recuperar ou procurar aconselhamento profissional.

Alimentação também influencia a saúde das unhas

Além dos cuidados externos, a saúde das unhas também pode refletir o estado geral do organismo. Unhas fracas, quebradiças ou muito secas podem estar associadas a desidratação, défices nutricionais ou outras condições de saúde.

A dermatologista Sarah Sung explicou à revista Real Simple que alguns alimentos podem ajudar a fortalecer as unhas quando incluídos numa alimentação equilibrada.

Entre as sugestões estão os ovos, por serem ricos em proteína e biotina. Segundo a especialista, estes nutrientes podem ajudar a melhorar a espessura das unhas e a torná-las mais resistentes.

Proteína e ómega-3 podem ajudar

O salmão é outro alimento referido pela dermatologista, devido ao teor de ómega-3. A falta deste nutriente pode estar associada a unhas mais secas e quebradiças.

As carnes de aves, como frango e peru, também podem contribuir para a saúde das unhas, por serem fontes de proteína magra.

Ainda assim, alterações persistentes nas unhas, como fragilidade acentuada, mudança de cor, dor ou deformações, devem ser avaliadas por um profissional de saúde, sobretudo quando surgem de forma repentina ou se mantêm ao longo do tempo.

Leia também: Atenção se vai à praia: saiba o que fazer se tocar numa alforreca e que erros deve evitar

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Atenção se vai à praia: saiba o que fazer se tocar numa alforreca e que erros deve evitar

Com a chegada do verão, aumentam as idas à praia e também a probabilidade de encontrar organismos gelatinosos junto à costa. Em Portugal, as alforrecas, águas-vivas e caravelas-portuguesas podem surgir no mar ou no areal, e saber como agir nos primeiros minutos pode evitar dor, irritação e complicações.

A época balnear marca o regresso de muitos portugueses às praias, mas a segurança não passa apenas pelo sol, pelo mar ou pelas correntes. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) recomenda que os banhistas sigam as indicações dos nadadores-salvadores e frequentem zonas com controlo da qualidade da água, sobretudo nos períodos de maior afluência.

Alforrecas podem aparecer no mar ou no areal

As alforrecas fazem parte dos chamados organismos gelatinosos e algumas espécies têm células urticantes, sobretudo nos tentáculos, capazes de injetar veneno quando entram em contacto com a pele. Segundo o programa GelAvista, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a maioria dos contactos é acidental e acontece na praia, durante o banho ou quando estes organismos dão à costa.

Mesmo quando parecem mortas ou estão fora de água, algumas alforrecas podem manter células urticantes ativas. Por isso, se vir uma alforreca no areal ou na rebentação, não lhe toque, evite aproximar-se dos tentáculos e avise o nadador-salvador ou as autoridades presentes na praia.

Como agir nos primeiros minutos após a picada

Se for picado por uma alforreca, o primeiro passo é sair da água com calma, evitando o pânico, para reduzir o risco de afogamento ou de novo contacto. Depois, deve lavar a zona afetada com água do mar, sem esfregar, para ajudar a remover vestígios sem espalhar o veneno.

Caso existam restos de tentáculos agarrados à pele, devem ser retirados com cuidado, usando uma pinça, luvas ou outro meio que evite o contacto direto com as mãos. O GelAvista recomenda que a zona seja limpa com água do mar e que os vestígios sejam removidos com uma pinça, sem friccionar a pele.

Gelo pode ajudar na picada de alforreca, mas com cuidado

No caso de contacto com uma medusa ou água-viva, depois de lavar e limpar a zona com água do mar, a mesma fonte recomenda a aplicação de compressas de gelo durante cerca de 15 minutos. O SNS 24 também indica a aplicação de frio ou gelo, sempre com cuidado para não provocar queimadura pelo frio diretamente na pele.

Se a dor persistir, se a zona ficar muito inchada ou se a pessoa apresentar falta de ar, mal-estar intenso, tonturas ou sinais de reação alérgica, deve ser pedida ajuda médica. O GelAvista aconselha a consultar um médico ou farmacêutico quando a dor não melhora, e o SNS 24 recomenda contactar o Centro de Informação Antivenenos em situações de intoxicação ou dúvida.

Atenção à caravela-portuguesa

Nem todos os organismos gelatinosos são iguais. A caravela-portuguesa, que ocorre ao longo da costa portuguesa, incluindo Açores e Madeira, é descrita pela fonte anterior como a espécie mais perigosa das que ocorrem em Portugal, podendo ter tentáculos que atingem até 30 metros.

No caso da caravela-portuguesa, as recomendações diferem das aplicadas a muitas alforrecas. Depois de limpar a zona com água do mar, é indicada a aplicação de compressas quentes a cerca de 40 graus durante cerca de 20 minutos ou vinagre sem diluir, sendo esta a exceção importante à regra geral sobre o vinagre.

Mitos sobre a picada de alforreca que podem piorar a situação

Um dos erros mais comuns é lavar a picada com água doce, como a água dos chuveiros da praia. Tanto o SNS 24 como o GelAvista alertam que a zona deve ser lavada com água do mar e que não se deve usar água doce, álcool ou amónia, porque estas práticas podem agravar a reação.

Outro mito frequente é aplicar vinagre em qualquer picada de alforreca. Em Portugal, a recomendação geral é não usar vinagre nas picadas de medusas ou águas-vivas, exceto quando o contacto é com caravela-portuguesa, situação em que o procedimento recomendado é diferente.

Também não se deve esfregar a zona afetada com toalha, areia ou as mãos, nem colocar ligaduras ou pensos rápidos sobre a picada. De acordo com a mesma fonte, coçar ou friccionar pode espalhar o veneno, enquanto cobrir a zona pode dificultar a limpeza e a avaliação da reação.

A ideia de urinar sobre uma picada de alforreca continua a circular, mas deve ser encarada como um mito. O National Health Service (NHS), serviço público de saúde do Reino Unido, inclui expressamente esta prática na lista do que não deve ser feito após uma picada de alforreca ou de outros animais marinhos.

Prevenir continua a ser o melhor conselho

Antes de entrar no mar, observe a água, esteja atento a avisos no areal e siga sempre as indicações dos nadadores-salvadores. O GelAvista recomenda evitar o contacto direto com organismos gelatinosos e, se não reconhecer a espécie, a regra mais segura é simples: não toque.

Leia também: Formigas em casa? Este truque natural pode ajudar a acabar com a ‘praga’ sem recorrer a químicos

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Movimento. O melhor remédio para as suas costas | Por Hugo Aleixo

Chegou o bom tempo e com ele voltam as caminhadas ao final do dia, o padel à terça-feira à noite, o golfe ao sábado de manhã, as primeiras idas à praia. A vida sai de casa. E todos os anos, sem falhar, voltam também ao meu consultório os pacientes com dores nas costas. Muitos deles convencidos de que a solução é parar. A mensagem que lhes deixo em consulta é a mesma que quero deixar aqui. Não fique em repouso. Mexa-se.

O mito do repouso absoluto enquanto cura para a dor lombar é dos mais resistentes com que lidamos. A evidência científica é clara há mais de duas décadas. Salvo em situações muito específicas de lesão aguda, ficar parado faz precisamente o contrário do que se pensa. Prolonga a dor, enfraquece a musculatura de suporte da coluna e atrasa a recuperação. O corpo humano foi feito para se mexer e quando deixa de o fazer, paga a fatura.

O movimento regular continua a ser o melhor medicamento disponível para a coluna vertebral. Não tem efeitos secundários, não tem preço e está ao alcance de qualquer pessoa, em qualquer idade. Caminhar, fazer yoga, pilates ou hidroginástica são excelentes formas de manter a coluna saudável e prevenir o aparecimento de dor lombar.

Há aqui, contudo, um ponto que escapa à maioria das pessoas e que faz toda a diferença na prática. Caminhar é importante, mas não chega. Para uma coluna bem protegida, é preciso incluir trabalho de força nos músculos da cintura para cima, sobretudo nos que estabilizam o tronco. São esses os músculos que funcionam como o cinto natural da coluna. Quando estão fortes, ela está protegida. Quando estão fracos, qualquer esforço do dia a dia pode passar a doer.

Para quem já vive com dores nas costas, a recomendação não muda muito, embora exija algum cuidado adicional. O movimento deve ser adequado e progressivo. Retomar a atividade física depois de meses parado não pode ser um regresso ao ritmo de há cinco anos. Convém começar devagar, escolher modalidades de baixo impacto, ouvir o corpo e procurar acompanhamento profissional sempre que a dor não cede ou começa a limitar o dia a dia.

Convém ainda desmontar outra ideia muito comum em consulta. Ter dor lombar não significa, na maior parte dos casos, ter uma lesão grave que exija cirurgia. A maioria das dores lombares resolve-se com movimento, tratamento conservador e, quando faz sentido, fisioterapia. A cirurgia da coluna tem hoje critérios bem definidos e, quando é mesmo necessária, é feita com técnicas minimamente invasivas que tornam a recuperação muito mais rápida do que era há alguns anos. Continua, ainda assim, a ser a última linha. Nunca a primeira.

Aproveite o bom tempo. Saia de casa. Caminhe, ande de bicicleta, vá à praia, brinque com os filhos no parque. Reserve dois ou três dias por semana para um trabalho mais estruturado de força. Mexa-se pela sua saúde. Não importa a modalidade ou o desporto, mexa-se.

A campanha Olhe pelas Suas Costas, que há mais de uma década promove a literacia em saúde da coluna em Portugal, tem trabalhado este princípio. Prevenir é sempre melhor do que tratar, e o movimento é a primeira linha da prevenção.

A sua coluna não precisa de descanso. Precisa de uso.      

Para mais informações, consulte o website da Campanha Olhe pelas suas Costas: https://olhepelassuascostas.pt/

Leia também: O dia em que a doença chegou antes dos sintomas | Por Isabel Duarte

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Senta-se de pernas cruzadas? Médicos explicam por que o deve fazer (ou não) e qual o impacto na sua saúde

Cruzar as pernas ao sentar-se é um hábito generalizado e, regra geral, não representa um risco grave para pessoas saudáveis. Ainda assim, especialistas admitem que a forma e, sobretudo, o tempo em que se permanece nessa posição podem influenciar o conforto e a circulação ao longo do dia.

A questão foi destacada pelo Notícias ao Minuto, que reuniu explicações de especialistas para distinguir mitos de evidência médica quando se fala desta postura.

Num primeiro olhar, não há motivo para alarme. Sentar-se com as pernas cruzadas não causa, por si só, danos significativos no organismo. Vários especialistas sublinham que o corpo humano se adapta a diferentes posições sem consequências permanentes, o que ajuda a explicar a normalidade deste gesto no dia a dia.

Ainda assim, o problema surge quando esta posição deixa de ser ocasional e passa a ser prolongada. Ficar sentado durante muito tempo, sobretudo com as pernas cruzadas, pode levar a compressão temporária de vasos sanguíneos e nervos, originando sensação de peso, desconforto muscular ou formigueiro.

Circulação sob pressão

Uma das dúvidas mais frequentes prende-se com a circulação. Ao cruzar uma perna sobre a outra, há uma pressão localizada, sobretudo atrás do joelho, onde passam veias essenciais ao retorno do sangue ao coração.

De acordo com o angiologista Thiago Osawa, essa compressão é momentânea e tende a ser compensada pelo organismo em pessoas saudáveis, sem efeitos duradouros na maioria dos casos.

O mesmo especialista sublinha, contudo, que a repetição frequente da postura pode agravar sintomas em quem já tem predisposição para problemas vasculares. Segundo a mesma fonte, não é o gesto isolado que preocupa, mas sim a duração e a frequência com que é mantido.

Varizes: mito ou realidade?

A ideia de que cruzar as pernas provoca varizes continua a ser uma das mais difundidas. No entanto, a evidência científica disponível não confirma uma relação direta entre este hábito e o aparecimento destas alterações venosas.

Especialistas indicam que fatores como a hereditariedade, o envelhecimento, o sedentarismo ou o excesso de peso têm um impacto muito mais relevante na saúde vascular.

Impacto na postura

Para além da circulação, a posição pode interferir com o alinhamento do corpo. Permanecer muito tempo com as pernas cruzadas introduz uma assimetria que afeta a pélvis e a coluna, podendo contribuir para tensões musculares e dores lombares.

Alguns profissionais de saúde referem que esta compensação contínua pode, ao longo do tempo, consolidar padrões posturais menos equilibrados, sobretudo em quem passa várias horas sentado diariamente.

O verdadeiro problema está no tempo parado

Outro efeito comum é a sensação de dormência ou formigueiro, resultante da compressão de nervos. Este desconforto tende a desaparecer rapidamente quando a posição é alterada.

Ainda assim, há um ponto em que os especialistas convergem: o fator mais relevante não é a forma como se está sentado, mas sim o tempo que se permanece sem se mexer. Ficar imóvel durante períodos prolongados, com ou sem as pernas cruzadas, está associado a maior desconforto e a uma menor ativação muscular.

A mesma fonte reforça uma ideia simples transmitida pelos especialistas: cruzar as pernas não é, por si só, prejudicial, mas torna-se menos aconselhável quando se transforma num hábito prolongado e repetido ao longo do dia.

Leia também: Homem morre nas urgências do Hospital de Faro após quatro horas sem vigilância médica

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Tornar o lúpus visível | Por Rita Mendes

O lúpus é uma doença autoimune que pode afetar diferentes órgãos e sistemas, com intensidade variável de pessoa para pessoa.

Ainda pouco conhecida, manifesta-se de muitas formas: pode causar cansaço, dor e alguma imprevisibilidade, mas também pode ser reconhecida, acompanhada e controlada. Com informação credível, diagnóstico atempado e acompanhamento multidisciplinar, é possível viver melhor com a doença e planear o futuro com mais confiança.

Em Portugal, ainda se fala pouco sobre a doença. Esse silêncio atrasa muitas vezes o reconhecimento de sinais e adia o acesso aos cuidados certos. Dar visibilidade à doença significa encurtar o caminho até ao diagnóstico, promover consultas coordenadas entre especialidades e valorizar o que não se mede apenas com exames: o impacto no dia a dia, no trabalho, na família e no bem-estar emocional.

A Associação de Doentes com Lúpus, fundada em 1992, existe para estar ao lado de todas as pessoas que dela precisam. Informamos, apoiamos e orientamos quem vive com lúpus e respetivas famílias. Em articulação com profissionais de saúde, familiares e toda a comunidade interessada nesta área, queremos facilitar o acesso ao aconselhamento, esclarecer dúvidas e promover a literacia em saúde. Quando doentes, familiares, equipas clínicas, farmacêuticos e decisores remam na mesma direção, o percurso torna-se mais simples, os sintomas são identificados mais cedo e as decisões terapêuticas ganham qualidade.

A apresentação clínica do lúpus pode ser altamente variável, desde manifestações ligeiras até formas muito graves, com envolvimento frequente dos sistemas cutâneo e musculoesquelético e podendo afetar um ou vários órgãos vitais (rins, coração, pulmões e sistema nervoso). O curso da doença pode alternar entre períodos de maior atividade e estabilidade, mas não define a totalidade da vida de quem vive com a doença.

Existem estratégias eficazes de monitorização, tratamentos cada vez mais personalizados e rotinas de autocuidado que fazem a diferença. Importa ainda sublinhar que reconhecer o impacto invisível — fadiga, dor, incerteza — é tão importante quanto olhar para os resultados dos exames.

O Dia Mundial do Lúpus, que se assinalou a 10 de maio, é uma oportunidade para escutar histórias, partilhar conhecimento e reforçar compromissos. Mais do que uma data no calendário, é um convite à ação: encurtar tempos de diagnóstico, garantir acesso equitativo a cuidados especializados e integrar a pessoa com lúpus no centro das decisões. Com políticas públicas eficazes e uma comunidade informada, é possível transformar invisibilidade em compreensão e cuidado.

Se quiseres saber mais sobre esta doença, ouvir testemunhos de quem a vive na primeira pessoa, conhecer os seus sintomas, formas de diagnóstico, tratamentos e formas de apoiar e compreender melhor quem vive com lúpus, visita o website tenholupus.pt e o website da Associação de Doentes com Lúpus: www.lupus.pt.

Encontra informação validada, recursos úteis e pontos de contacto. Porque a informação é o primeiro passo para deixarmos de olhar e começarmos verdadeiramente a ver — e, sobretudo, a cuidar. Vamos tornar o lúpus visível.

Leia também: O dia em que a doença chegou antes dos sintomas | Por Isabel Duarte

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Solidão, envelhecimento e saúde: o problema que muitas análises não mostram

Há pessoas que vão envelhecendo sem fazer grande ruído. Continuam a abrir a janela de manhã, a cumprir pequenas rotinas, a ir à farmácia, a responder “vai-se andando” quando alguém pergunta como estão. À superfície, parece que tudo se mantém funcional. A tensão arterial pode até estar controlada, a diabetes mais ou menos vigiada, a medicação organizada numa caixa semanal em cima da mesa.

E, no entanto, por detrás dessa aparência de estabilidade, instala-se por vezes outra forma de fragilidade, mais difícil de medir e mais fácil de ignorar: a solidão.

Não falo apenas de viver sozinho. Há quem viva sozinho e se sinta inteiro, ligado, acompanhado pela família, pelos vizinhos, por um grupo, por uma rotina com sentido. E há quem esteja rodeado de gente e passe os dias numa espécie de ausência relacional difícil de explicar.

A solidão, nessa forma mais funda, não é a falta de pessoas à volta. É a falta de presença com significado. É não ter com quem partilhar o dia, a preocupação, a memória, a pequena conquista, o medo banal que só parece menor quando é dito a alguém.

Durante muito tempo, esta realidade foi tratada quase como um assunto de foro íntimo, mais próximo da tristeza do que da saúde. Como se fosse apenas um desconforto emocional, uma consequência quase inevitável da idade, da viuvez, da reforma ou da saída dos filhos de casa. Mas essa leitura é curta.

A solidão prolongada desgasta. Não aparece numa análise de rotina, não se ausculta com um estetoscópio, não surge com a nitidez de uma fratura ou de uma infeção, mas vai deixando marca. No humor, no sono, na energia, na motivação para sair, na vontade de cozinhar, na adesão à medicação, na forma como se tolera a dor, na rapidez com que o mundo começa a encolher.

É precisamente isso que a torna tão difícil de enfrentar. A medicina está habituada a procurar aquilo que se mede bem. Valores, imagens, sinais, alterações objetivas. E isso é indispensável. Mas envelhecer não é apenas atravessar uma sucessão de parâmetros clínicos. É também perder e reconstruir vínculos, adaptar-se a limitações, reorganizar o sentido dos dias. Quando essa dimensão falha, o impacto não se limita à esfera emocional. O corpo sente-o. A mente sente-o. A autonomia sente-o.

Muitos idosos não dizem “estou sozinho”. Dizem que andam mais cansados. Que dormem pior. Que não lhes apetece sair. Que a comida já não sabe ao mesmo. Que têm menos força. Que se esquecem mais. Que os dias são todos parecidos. Às vezes, o sofrimento chega à consulta disfarçado de sintoma vago. E nem sempre o sistema tem tempo, disponibilidade ou sensibilidade para ler o que está por trás. O que parecia ser apenas cansaço pode ser desânimo. O que parecia falta de apetite pode ser vazio. O que parecia desleixo pode ser desistência lenta.

Num país que envelhece, isto não devia ser uma nota de rodapé. Devia estar muito mais no centro da conversa. Falamos, e bem, de demência, de fragilidade, de dependência, de polimedicação, de listas de espera, de cuidados continuados. Mas falamos menos sobre a erosão silenciosa da vida relacional. Menos da velhice passada entre quatro paredes. Menos da perda de lugar social. Menos do efeito cumulativo de dias inteiros sem conversa verdadeira, sem toque, sem convite, sem escuta. Como se isso fosse triste, sim, mas secundário. Não é.

Há uma tendência perigosa de naturalizar a solidão no envelhecimento. Como se fosse expectável. Como se, a partir de certa idade, a vida tivesse inevitavelmente de se tornar mais estreita, mais silenciosa, mais ausente. Essa normalização é profundamente injusta. Porque envelhecer não devia significar desaparecer aos poucos do campo de atenção dos outros. Não devia significar tornar-se um corpo clinicamente seguido, mas socialmente esquecido.

A saúde, quando pensada a sério, é mais do que o controlo de doenças. É também vínculo, participação, reconhecimento, continuidade humana. Um idoso que tem com quem falar, a quem telefonar, com quem almoçar, a quem fazer falta, não tem apenas mais companhia. Tem mais proteção. Mais estrutura. Mais motivo para se cuidar. Mais razão para sair da cama e continuar a ocupar espaço no mundo. Às vezes, é nesse plano invisível que começa a diferença entre aguentar e viver.

Talvez, por isso, a resposta não possa ficar toda do lado da medicina, embora a medicina tenha a obrigação de ver melhor este problema. A resposta começa nas famílias, mas não acaba nelas. Passa pelos vizinhos, pelas juntas, pelas autarquias, pelas associações locais, pelos centros de saúde, pelas igrejas, pelas farmácias, pelos transportes, pelos espaços públicos, pelas redes informais que ainda vão resistindo apesar de tudo. Passa, no fundo, por decidir se queremos ser uma sociedade que prolonga a vida apenas em anos ou também em presença, dignidade e pertença.

A solidão não tem cor num relatório laboratorial. Não sobe nem desce numa folha de resultados. Mas adoece. E talvez uma sociedade se revele menos pela sofisticação dos exames que consegue fazer e mais pela capacidade de não deixar ninguém envelhecer como se já tivesse saído, em silêncio, do lado de dentro da vida.

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Porque sexualizamos os seios? Perguntem a França, a Hollywood e a Jesus Cristo

Socióloga foi à procura de respostas para a pergunta que não quer calar: porque é que o mamilo da mulher é sexualizado e o dos homens não? É uma coisa ocidental, os seios “não são universalmente eróticos”. Dois dias antes de se submeter a uma mastectomia dupla, Sarah Thornton foi nadar. Enquanto se mudava, olhou para os seios e agradeceu-lhes por estarem ali. Pediu desculpa por não os ter “amado o suficiente” e pediu perdão “por os deixar partir”. Foram sete anos “stressantes e esgotantes” de exames médicos e biópsias. Os médicos estavam preocupados com as suas “muitas células raras”,

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“Dragão” com penas conviveu com os dinossauros. Usava a longa cauda para o costume

O fóssil de uma espécie de ave recém-identificada, do tamanho de um tordo, chamada Plumadraco bankoorum, que viveu há cerca de 121 milhões de anos, preservou quase toda a sua plumagem, incluindo as penas da cauda — ​​​​que eram duas vezes mais compridas que o seu corpo. Um fóssil com 121 milhões de anos, que se encontrava preservado num museu em Shandong, na China, levou à identificação de uma nova espécie que habitou a região durante o período Cretácico. A nova espécie, que tinha uma cauda tão impressionante que ganhou a alcunha de “dragão emplumado“, foi descrita num artigo publicado

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Estudo revela que fantasiar sobre outra pessoa durante o sexo não é sinal de problemas na relação

Embora fantasiar com o parceiro esteja associado a uma maior satisfação sexual, um novo estudo concluiu que fantasiar com uma pessoa externa não é necessariamente um sinal de a pessoa não está satisfeita na relação. Um novo estudo publicado na revista Archives of Sexual Behavior sugere que as fantasias sexuais das pessoas variam significativamente consoante estão sozinhas ou a ter relações sexuais com um parceiro. Os investigadores descobriram que as fantasias durante o sexo com um parceiro tendem a envolver mais intimidade emocional, afeto e ligação, enquanto as fantasias durante a masturbação solitária tendem a concentrar-se mais em conteúdo erótico

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Estudo revela que quem deixa de tomar Ozempic pode nunca mais engordar

A interrupção da semaglutida ou da tirzepatida não resulta, normalmente, numa recuperação significativa de peso. Muitos doentes retomaram o tratamento mais tarde ou mudaram para outras abordagens de controlo de peso, o que os ajudou a manter grande parte do progresso alcançado. Um novo estudo, publicado em março na Diabetes, Obesity and Metabolism, sugere que cerca de 8000 pessoas que deixaram de tomar Ozempic ou medicamentos com efeitos semelhantes não recuperaram peso de forma significativa. De acordo com o SciTechDaily, os investigadores acompanharam 7938 adultos com excesso de peso ou obesidade em Ohio e Florida. Os participantes tinham iniciado tratamento

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Mistério dos sismos “mecânicos” explicado

Determinados sismos submarinos ocorrem com uma regularidade quase perfeita ao longo de décadas. Uma equipa internacional de investigadores afirma ter resolvido um dos mais persistentes mistérios da sismologia moderna: a razão pela qual determinados sismos submarinos ocorrem com uma regularidade quase perfeita ao longo de décadas. O estudo identificou um conjunto de mecanismos geológicos que funcionam como “travões naturais”, impedindo que certos terramotos atinjam magnitudes potencialmente mais destrutivas. O fenómeno foi observado na falha de Gofar, situada no Oceano Pacífico, cerca de 1.600 quilómetros a oeste da costa do Equador. Nesta região, os cientistas registaram, durante mais de 30 anos,

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Descoberto buraco negro que se formou antes da sua galáxia

O que surge primeiro, a galáxia ou o buraco negro? Os cientistas há muito que pensam que poderia ser a galáxia, mas… é complicado. Recorrendo ao poder de imagem e espetroscopia sem precedentes do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, uma equipa de investigadores mapeou o movimento e a composição do gás que orbita um buraco negro no centro de Abell 2744-QSO1, uma pequena galáxia a mais de 13 mil milhões de anos-luz da Terra. Os resultados sugerem que o buraco negro com 50 milhões de massas solares é anterior à sua galáxia hospedeira, tendo-se possivelmente formado no primeiro segundo

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Novo circuito: diagnóstico mamário torna-se mais rápido em Portugal

Senologia, exames de imagiologia, anatomia patológica presencial e oncologia médica – tudo numa semana clínica integrada. A avaliação mamária costuma durar entre semanas a meses. Passa pela consulta inicial, pelos exames imagiológicos, pela biópsia e leitura anatomopatológica, distribuídos por prestadores em momentos faseados. O tempo passa agora a ser encurtado (tal como a ansiedade da mulher): foi criado o Circuito de Diagnóstico Mamário. O circuito da Clínica Mulher demora 7 dias úteis, desde a suspeita até ao diagnóstico. Senologia, exames de imagiologia, anatomia patológica presencial e oncologia médica – tudo com enfermeiros especializados, e tudo em pouco mais de uma

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É possível saber que horas são pelo cheiro

Como sabíamos que horas eram antes dos relógios? Tivemos de ser criativos. Eis como funcionavam os relógios de incenso da China e Japão medievais. Hoje, saber as horas é um gesto ainda mais automático do que era há uns anos atrás, quando ainda tínhamos de erguer o pulso e, uns mais rápidos que outros, “traduzir” os ponteiros. Agora, temos sempre o telemóvel na mão, sempre pronto para nos dizer se vamos chegar a tempo. No entanto, durante grande parte da história da humanidade, medir o tempo exigiu alguma criatividade. Antes dos relógios mecânicos, e muito antes dos relógios atómicos, os

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Como sabíamos que horas eram antes dos relógios? Tivemos de ser criativos. Eis como funcionavam os relógios de incenso da China e Japão medievais. Hoje, saber as horas é um gesto ainda mais automático do que era há uns anos atrás, quando ainda tínhamos de erguer o pulso e, uns mais rápidos que outro
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Descoberta possível cura para a hepatite B

O tratamento, denominado bepirovirsen, representa um dos avanços mais relevantes das últimas décadas no combate a uma infeção que exige habitualmente tratamento antiviral para o resto da vida. A hepatite B é uma infeção causada por um vírus que se propaga através do contacto com fluidos corporais infetados, como o sémen, saliva ou secreções vaginais. A Organização Mundial da Saúde estima que 254 milhões de pessoas viviam com hepatite B crónica em 2022 e que a doença causou cerca de 1,1 milhões de mortes nesse mesmo ano, principalmente por cirrose ou carcinoma hepatocelular. A maioria das pessoas recupera da infeção,

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Descoberta “cerveja” com 2300 anos no interior de um túmulo chinês

O líquido tem uma cor azul esverdeada e tem vestígios mais de 2400 compostos orgânicos. Arqueólogos do norte da China descobriram uma garrafa de bronze com uma bebida alcoólica com 2300 anos. A descoberta, relata num estudo publicado no Journal of Archaeological Science: Reports, foi feita no Cemitério de Shanjiabao, nas imediações da cidade de Guyuan, perto de um troço da Grande Muralha da China. O túmulo data do final do Período dos Reinos Combatentes, entre 475 e 221 a.C., uma era turbulenta marcada por guerras, convulsões políticas e pela eventual unificação da China sob a Dinastia Qin. No interior de

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Timur não sabia que era o jantar. Amur não sabia o que lhe fazer. Por uns tempos, foram amigos

No outono de 2015, um parque de vida selvagem russo colocou um bode num recinto com um tigre siberiano. O bode não fugiu. O tigre não atacou. E o mundo ficou colado ao ecrã. Chama-se Amur, é um tigre siberiano adulto e vive no Parque Safari Primorsky, no extremo oriente da Rússia. Como é habitual neste tipo de instalações, os tratadores forneciam-lhe ocasionalmente animais vivos para que pudesse exercitar os instintos de caça. Num belo dia, em novembro de 2015, a “refeição” de Amur era um bode. Chamava-se Timur. Os tratadores “convidaram-no” a ir jantar com Amur — no papel

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No outono de 2015, um parque de vida selvagem russo colocou um bode num recinto com um tigre siberiano. O bode não fugiu. O tigre não atacou. E o mundo ficou colado ao ecrã. Chama-se Amur, é um tigre siberiano adulto e vive no Parque Safari Primorsky, no extremo oriente da Rússia. Como é habitual ne
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Os surtos de ébola e hantavírus têm intrigado os cientistas

As estirpes recentes (e famosas) são muito diferentes das espécies identificadas há décadas. Como responder a estas situações? Os recentes surtos de ébola e hantavírus reacenderam o debate científico sobre a enorme diversidade de estirpes virais existentes na natureza e sobre os riscos associados à transmissão entre espécies. Investigadores e autoridades de saúde pública alertam que muitos destes vírus continuam pouco conhecidos, apesar do potencial para provocar epidemias graves. No caso do ébola, os cientistas – intrigados, como resume o New York Times – acompanham com preocupação uma nova variante associada ao vírus Bundibugyo, identificada na República Democrática do Congo. Esta

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